A Bela e a Fera - Jean Cocteau

La Belle et la Bete - 1946



COMENTÁRIOS:

Jean Cocteau dá inicio a sua adaptação do clássico conto de fadas A Bela e a Fera com o costumeiro "Era uma vez...", mas, antes que a história comece, há algumas condições: "Crianças acreditam no que contamos a elas. Elas tem total fé em nós. Eu peço a vocês um pouco desta crença infantil." Através deste pedido, e desta obra, Cocteau nos induz a um estado que fica entre a vida adulta e a infantil e que nos faz sentir que a magia existe e que o amor é a cura para todos os problemas.
Confesso que sou absolutamente apaixonada por filmes antigos. É neste nicho que podemos encontrar tramas repletas de criatividade e poesia, alias, poesia era um dos maiores dons de Cocteau.

A trama é bem conhecida. Quando um mercador vai em busca de parte de sua fortuna (e que ele acreditava estar perdida por completo), na volta de sua viagem ele se perde na floresta, encontra um castelo e, em meio a noite e a tempestade, lá busca abrigo. Nós o seguimos para dentro de um reino encantado, que mostra beleza e ao mesmo tempo causa terror. 
Uma de minhas cenas favoritas no filme é a do corredor, que vai se iluminando aos poucos, por luminárias presas em mãos de braços que saem das paredes e que se movem. É absurdamente delicado e belo e, ainda assim, imaginem, braços incorpóreos, vivos...uau! 
As estátuas do castelo seguem o mercador com seus olhos, apenas, prestando atenção a tudo. Na mesa, um arranjo central formado por braços e mãos se desentrelaçam para servir vinho. É como estar em um sonho. 
O dono do castelo só aparece quando o mercador, já de saída, pega uma rosa do jardim (um presente que a filha mais jovem lhe pediu). A Fera, uma espécie de homem leão com roupas da época, pega o mercador no ato, condenando-o a morte. A Fera permite que o mercador volte para se despedir da família, mas em 3 dias deveria retornar para cumprir sua sentença, ou então uma de suas 3 filhas deveria tomar seu lugar. Bela, a filha que pediu a rosa, causadora de toda a situação, decide ir no lugar do pai, partindo as escondidas.



A jovem Bela é uma moça adorável, única realmente afeiçoada ao pai e que se veste como uma criada, cuidando da casa, das duas irmãs gananciosas e do irmão inútil. É cortejada pelo belo Avenant, mas Avenant é um homem estúpido, que menospreza a inteligência da moça, entre outras coisas. O curioso é que tanto Avenant quanto Fera são feitos por Jean MaraisA moça fica no castelo sozinha, apenas tendo a companhia de Fera durante o jantar, mas ele apenas fica lá, nas sombras. Mesmo assim ela é a Rainha do lugar. Tudo o que deseja surge em suas mãos, tudo o que quer ver o espelho mágico lhe mostra e aos poucos ela passa a ansiar pela companhia de seu anfitrião. 
Nunca chegamos a saber porque Fera foi enfeitiçado e nem por quem; não sabemos o porquê do lugar com suas estátuas que espiam, portas que falam, braços e mãos incorpóreos, etc, mas realmente não importa. Sabemos que ela está lá e que a mágica existe e ponto. Não precisamos de mais nada!



As tentativas de Fera de conquistar Bela não dão certo, afinal, apesar de usar belas roupas ele é um animal, que tem impulsos animais, que é visto caçando em quatro patas e sujo com o sangue de suas vítimas. Apesar de ele parecer ter bom coração, Fera não consegue controlar direito seus instintos animais, o que mantém a moça afastada, além disso, ela ainda é uma prisioneira. Claro, Fera acaba por permitir que Bela volte a casa da família, mas a avisa de que se ela não retornasse de boa vontade, ele morreria com o coração partido.
O irmão de Bela e Avenant, após verem as riquezas da moça, e após saberem das irmãs dela o que há no castelo, decidem ir até lá, matar a Fera e roubar tudo, inclusive o templo de Diana, onde Fera guardava seu mais precioso tesouro. 



É exatamente no templo que Cocteau nos mostra que Avenant, apesar da beleza externa, é tão feio quanto Fera por dentro e Fera, por dentro é tão belo quanto o exterior de Avenant. Quando Bela quebra a maldição através de seu amor, Cocteau nos presenteia com uma linda sequencia envolvendo Avenant e Fera



Cocteau desejava transformar a Fera em alguém tão simpático, adorável, superior ao homem que, ao se transformar no príncipe encantado, Bela sofreria com isso. Bom, ele conseguiu. Após a transformação fiquei com uma sensação de perda. Eu sei que a maldição deveria ser quebrada, mas senti falta das formas daquela criatura maravilhosa. Me peguei desejando que ele voltasse a ser como antes, confesso.



O interessante neste filme é que as cenas mais marcantes não tem diálogos (eu simplesmente amo a decoração do lugar, com suas mãos e braços que seguram luminárias e vão acendendo as luzes a medida que a pessoa passa ou as mãos e braços que se desentrelaçam no centro da mesa para servir vinho a quem esta sentado a mesa).
Eu resumi a história por não desejar tirar as surpresas, já que, mesmo mantendo as características do conto original, Cocteau deu seu toque e fez algumas mudanças no final. O que mais gostei: A quebra da maldição não pôs fim a magia.
Para quem gosta de filmes antigos, de arte, de belas e boas histórias, de magia, de contos de amor... não perca. Este filme vale cada segundo!



O Pacto

Horns

Joe Hill

SINOPSE:

Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida. Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Descobre também algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis. Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim. 

COMENTÁRIOS:

A namorada de Ignatius, Merrin, foi estuprada e assassinada e ele é o principal suspeito. Um acidente destrói a maioria das provas coletadas, então, o rapaz jamais foi a julgamento. Quase todos na cidade onde ele mora acreditam que ele é o culpado, inclusive sua família. Apenas o irmão de Ignatius sabe que ele é inocente. Com a vida destruída, Ignatius passa a maior parte do tempo bêbado. No aniversário de um ano do assassinato de Merrin, Ignatius toma a maior de todas as bebedeiras e acorda com um par de chifres crescendo em sua testa, sem lembrar o que havia feito na noite anterior. Junto com os chifres alguma habilidades muito incômodas começam a despertar.
Achei a parte inicial do livro muito boa, quando Ig desperta, descobre os chifres e descobre que as pessoas se sentem compelidas a confessar para ele segredos terríveis do que fizeram ou do que gostariam de fazer (a maior parte destes segredo envolve algum tipo de perversão sexual ou desejo de morte). Claro, a medida que as páginas vão passando eu fui ficando pasma como uma cidade pode estar simplesmente cheia de pessoas terríveis, maldosas e desagradáveis, sem exceções (pertinho do final descobrimos UMA pessoa realmente boa e, além do irmão de Ig, mais uma que não é tão má assim). Até Ig irrita, por sua dedicação em não fazer mais nada além de terminar de destruir sua vida.
A medida que a leitura avança e você conhece o passado de Ig e dos personagens principais, como a namorada, o irmão e o melhor amigo e descobre a verdade (ela vem bem antes do final da história) do que aconteceu na noite em que Merrin foi morta, é difícil não sentir pelo protagonista, apesar de ele ser um idiota derrotista e se afogar em auto-piedade.
Eu realmente gostei dos capítulos iniciais e pensei que a história seria de humor negro (o trailer do filme reforçou esta opinião), focada na natureza das pessoas e na hipocrisia das cidades pequenas, mas o livro dá uma guinada na direção da tragédia em todos os sentidos, mostrando o passado de Ig e como a morte de Merrin acabou com a vida dele, alias, a maior maldade de Hill é mostrar que mesmo que Merrin não houvesse sido assassinada, a história tria um final trágico.
Apesar de continuar prendendo minha atenção (o despertar dos poderes de Ig é muito legal) eu gostaria que Hill tivesse se decidido por qual caminho seguir: um livro sobre a perda de um amor através do crime e suas consequências ou um sobre um cara com chifres e poderes que vinga a morte da amada. Eu digo isso porque ao ler parece que estamos acompanhando duas histórias diferentes, com dois Ignatius diferentes, o que prejudicou minha apreciação do livro.
O Pacto é narrado sob diversos pontos de vista, o que acaba tornando a história um pouco repetitiva. A intenção aparente é a de permitir que o leitor possa sabe o que aconteceu e se envolver com a situação e com os personagens, mas comigo não funcionou. Apesar de me divertir com parte da história eu não me apeguei a quem contava e não podia me importar menos com os destinos deles. Até mesmo Ig não conseguiu me conquistar. A sensação que tive é a de que antes mesmo da morte de Merrin ele não sabia o que fazer de sua vida e já era um idiota derrotista. Pelo menos os poderes o tornaram um pouco mais interessante.
A medida que avança a história vai se tornando mais e mais fantástica e dá uma virada no final que, apesar de emotiva, pareceu estar lá apenas por conta da virada e não por ter seguido todo um caminho até sua conclusão.
Por fim, eu gostei do livro, mas não gostei de como ele me fez sentir. Não pretendo reler O Pacto, mas estou curiosa sobre o filme com Daniel Radcliffe. Pelo trailer eu notei várias mudanças na história e para melhor. Confesso que decidi ler o livro por causa do trailer, muito divertido e bizarro. Pode ser que desta vez o filme seja melhor do que o livro e eu sinceramente torço por isso.


Simples e direta.
Várias referências ao que aparece na história.
Me lembrou a arte das capas de Quadrinhos.
A que menos gostei.
Cartaz do filme
Daniel Radcliffe como Ignatius.


Camelot 3000

Roteiro: Mike W. Barr
Arte: Brian Bolland
Publicação: DC Comics
Hérois e Vilões.
Camelot 3000 mostra as aventuras do Rei Arthur, Merlin e os reencarnados Cavaleiros da Távola Redonda, contando como eles ressurgiram no mundo futurístico de 3000 para lutar contra uma invasão alienígena comandada por ninguém menos que Morgana Le Fay.
ArthurGuinevere (Comandante das defesas da Terra), e Lancelot (um milionário francês) são apresentados como o triângulo amoroso original... bem, quase como o original. Sir Galahad é um samurai, Sir Percival é um dissidente político geneticamente alterado em um neo-humano, Sir Kay é um marginal, Sir Gawain é africano e chefe de família e Sir Tristão é uma mulher, o que provoca situações bem dramáticas, tanto para "ele" quanto para Isolda e Tom Prentice (o estudante que, em fuga, descobriu a tumba de Arthur e o despertou). Mordred é o filho de Morgana Le Fay (embora seja enganado por ela e não tome conhecimento disso).
Protagonistas.
Após Tom despertar Arthur eles vão em busca de Merlin, que era mantido prisoneiro por conta de magia e uma antiga amante. Arthur o liberta e resgata Excalibur e então faz seus cavaleiros reencarnados relembrarem de suas vidas anteriores, assim como a Rainha. É claro que há muitos problemas por conta disso. Velhos sentimentos ressurgem, lembranças e escolhas difíceis devem ser feitas. Amber é o personagem mais complexo, na minha opinião. Ao lembrar que era Sir Tristão ela sofre por amar Isolda (o pior de tudo é que ela lembra de sua vida passada durante seu casamento). Além disso Tom se apaixona por ela e tenta fazê-la aceitar o que é nesta vida.
Cavaleiros e seu Rei.
Em retrospectiva me ocorreu que esta foi uma série bem avançada para a época de sua publicação. Coisas como um dos protagonistas matando bebês, uma relação lésbica, traição... imagino se nos quadrinhos de agora teriam coragem de colocar algo assim, passando impunes a crise atual do politicamente chato.
Morgana, a poderosa.
Camelot 3000 foi publicado pela primeira vez no Brasil entre 1984 e 1985 nas revistas SuperAmigos e Batman. Em 1988 foi re-publicado em forma de mini-série em 4 volumes (eu tinha estes). Em 2005 foi re-publicado em edição única (este é nosso volume atual) e em 2010 foi lançado em um encadernado de luxo.
CAPAS DA SÉRIE EM 4 VOLUMES

Se você quiser baixar e ler pode encontrar Camelo 3000 no blog Rapadura Açucarada e no blog Quadrideko.

Tudo o que Peço

This Is All I Ask

Lynn Kurland


SINOPSE:

É uma comovente história de duas almas feridas... Gillian de Warewick é uma heroína improvável. Alta, magra, com um rosto que sempre foi chamado de comum, Gillian é uma criatura tímida e miserável, com total falta de confiança. Seu único prazer é o seu treino secreto na espada que foi promovido por seu falecido irmão, William, um prazer que por muitas vezes recebe espancamentos nas mãos de seu pai. Gillian fica horrorizada ao saber que seu pai praticamente a vendeu a Christopher de Blackmour, um guerreiro que dizem praticar magia negra. Um amigo de Christopher, Colin of Berkhamshire, um guerreiro de renome, chega para escoltá-la para a casa de seu novo marido, na costa do norte da Inglaterra. Ao protestar Gillian ganhar um golpe no rosto de pai. Desesperadamente com medo e inseguro de como escapar, Gillian vai com Colin. Colin parece simpático, e sua proteção é um pouco de alívio. O castelo de Blackmour não é o que Gillian espera. Uma formação rochosa muito acima do mar, ela fica encantada ao ver as ondas contra as rochas muito abaixo de sua janela. Seu primeiro vislumbre de Christopher é menos animadora. Ele mal da-lhe um olhar, reforçando a sua crença de que ela é a criatura mais feia da cristandade. O seu próprio marido ser mal olhar para ela. Christopher não podia reagir a sua aparência. Ele é cego, o resultado de um ataque há vários anos. Sua reputação como um servo de Satanás é um escudo cuidadosamente para evitar que seus inimigos ataquem suas terras. Gillian rapidamente descobre a aflição de Christopher, e quando ela começa a entender a sua vulnerabilidade seus sentimentos mudam. Se ela não fosse feia. Se ela tivesse mais coragem. 

COMENTÁRIOS:

Antes  de tudo: POR QUE A CRIATURA SE PREOCUPA SE É BELA OU FEIA QUANDO O MARIDO GATO DELA É CEGO???????
Bom, vamos a história. A mocinha, Gillian,  é uma daquelas mocinhas que mais detesto: sofredora, humilde, uma verdadeira pobre coitada. Seu pai a tratava na base da paulada e ela só fazia se arrastar e chorar (uff).
Daí o pai malvado a vende em casamento para Blackmour e ela fica em pânico, pois correm boatos de que o homem é um feiticeiro do mal... tá... bom, ela é bem recebida, mas continua se comportando como um ratinho medroso, sempre a espera de um ataque do gato.
O marido é cego, mas faz de conta que não. A moça, apesar de idiota, percebe. O marido, além de cego, é mais traumatizado do que a esposa. Na verdade, a história é cheia de pessoas traumatizadas... os bonzinhos são bons e os mauzinhos maus, sendo que o pai da protagonista é o mais malvado de todos.
Sinceramente, as passagens em que a autora tenta fazer graça são sofríveis e, ao invés de parecerem engraçadas elas parecem desajeitadas e infantis. As personagens também se comportaram várias vezes como adolescentes e isso me irritou muito. O que dizer do protagonista, traumatizado (mais uma vez esta palavra) pela primeira esposa-má, decidir que a segunda esposa (igualmente traumatizada) é tão ruim quanto a anterior só porque a coitada foi visitar a prostituta da vila para saber o que fazer para engravidar. E, decidindo isso, ele expulsa a coitada do castelo, sendo que ele casou com ela devido a promessa que fez ao irmão da moça - e seu amigo - de que cuidaria dela por toda a vida. Além disso, o cara é cego e apenas duas pessoas, além de Gillian, sabem disso e então eu me pergunto, como?? 
Christopher é cego, vive em um castelo, treina com seus homens (geralmente derrotando todos eles em combate) e NINGUÉM percebeu que ele é cego. A autora justifica citando na história que o protagonista decorou a posição dos móveis...claaaaaro... um castelo cheio de servos e a família, e os guerreiros e sabe lá quem mais e TODOS os móveis estão sempre no mesmo lugar. Além disso imagino que ninguém mudava nada do lado de fora do castelo, onde ele treinava seus guerreiros.
Outra coisa inútil na história é a presença de 3 bruxas, que não parecem realmente bruxas e que estão lá só para encher as páginas). Juntem a isso tudo uma mocinha que de tão inocente parece ser dona de um QI muito baixo e vocês podem ter uma ideia da trama. Não gostei (eu devia ter imaginado, já que nunca li nenhum romance medieval que me agradasse).


A capa é interessante.
Posso afirmar que resolvi ler a história 
mais pela capa do que pela sinopse.

Encanto Mortal

Sarah Cross

Kill Me Softly 

SINOPSE:

O passado de Mirabelle está envolto em segredos, da morte trágica de seus pais às meias verdades de suas madrinhas sobre por que ela não pode voltar à sua cidade natal, Beau Rivage. Desesperada para conhecer melhor o local, Mira foge uma semana antes de completar dezesseis anos - e descobre um mundo que nunca poderia ter imaginado. Em Beau Rivage, nada é o que parece - nem mesmo a garota estranhamente pálida com um interesse mórbido em maçãs, o detestável playboy que age como uma fera com todos ao seu redor e o garoto gentil que tem um fraco por donzelas em perigo. Ali, histórias antigas são reencenadas, maldições são despertadas e contos de fadas se tornam reais. Mas todo mundo sabe que fábulas nem sempre terminam com 'felizes para sempre'. Mira tem um papel a desempenhar, um destino a aceitar ou ao qual resistir. Enquanto se esforça para assumir o controle de sua vida, ela se sente atraída por dois garotos com suas próprias maldições... irmãos que compartilham um terrível segredo. E ela vai descobrir que o amor - assim como os contos de fadas - nem sempre acaba bem.


COMENTÁRIOS:

A protagonista, Mirabelle, está prestes a completar 16 anos. A história deste livro se passa toda em menos de uma semana, nos dias que antecedem este aniversário.
Mirabelle foi criada por duas madrinhas desde que tinha 3 meses, época em que seus pais morreram em um incêndio (durante seu batizado).  As madrinhas são, nas palavras da protagonista, absurdamente super protetoras (na verdade, com uma ou outra exceção eu achei que elas proibiam exatamente aquilo que deve ser proibido para uma garota de 15 anos ou menos).
Logo de cara eu vi (e acho que qualquer pessoa que não ficou enterrada nos últimos 40/50 anos perceberia isso) que Mira era a Bela Adormecida, afinal, a moça estava proibida de chegar perto de objetos cortantes o pontiagudos e suas madrinhas começam o livro discutindo sobre a cor do bolo de aniversário (Azul ou Rosa?!).
Pois bem, o maior desejo de Mira era ir a sua cidade natal, Beau Rivage e ver os túmulos de seus pais. Como as madrinhas sempre recusaram seu pedido a garota decide fugir poucos dias antes de fazer 16 anos e ir a Beau Rivage sozinha... só então me ocorreu o seguinte: Porque as madrinhas estavam fazendo o bolo de aniversário quase uma semana antes da data?! Obviamente a cena foi colocada lá para percebermos quem ela era :-p
Mira foge e deixa um rastro falso para as madrinhas seguirem, simulando um namoro online com e-mails que já escrevia a uns 8 meses, que as conduziria até a California. Mas a garota parece ter gasto toda a inteligência na fuga, já que ela vira um quiabo assim que chega a Beau Rivage. Ela passa o dia procurando pelos túmulos dos pais, não encontra, a noite chega e ela busca refúgio em um CASSINO. Sim, é isso! Ela não tenta arrumar um quarto em uma pensão ou hotel porque é muito nova para isso, mas ela fica na lanchonete de um cassino e passeia pelo cassino numa boa.
A mocinha já está na lanchonete, fingindo ler e comer há 3 horas quando um garoto de cabelo azul muito grosseiro começa a falar com ela, mandando-a embora da lanchonete e do cassino. Com ele está um garoto loiro e educado, que tenta desculpar os maus modos do amigo. Acontece que o rapaz de cabelos azuis é filho do dono. E Mira é grossa com ele e com o outro, porque eles são estranhos e ela não quer problemas (ser atacada, ser levada pela polícia, blá,blá,blá), mesmo quando o garoto de cabelos azuis sugere levá-la até um hotel onde ela poderia se hospedar. Dá para entender que ela não quisesse sair com dois desconhecidos, mas ela realmente achava que ia poder ficar no cassino eternamente, sem dormir nem nada? A criatura se quer pensa em algum plano decente!!!!
Bem, o garoto de cabelos azuis é Blue e o loiro é Freddie. Blue fica falando que ela precisa ir embora antes que o irmão a veja, porque o irmão é perigoso. Achei isso absolutamente avulso. Por acaso Blue ficava abordando todas as moças e mulheres bonitas ou bonitinhas que encontrava tentando afastá-las do irmão? Então coitado; em um cassino provavelmente ele só faria isso da vida.
Pois bem, Mira foge dos dois estranhos e após uma soneca no jardim do cassino é encontrada por Felix, o tal irmão, que tem 21 anos e é educado e lindo...e tem cabelos azuis. Claro que com ele não foi estranho aceitar um quarto no hotel, afinal, ele era educado, lindo e rico, então, em poucos minutos ela decide que o ama e fica no quarto que ele lhe deu e aceita o cartão que ele lhe deu para gastar no que quisesse e aceita a ajuda dele para encontrar o tumulo dos pais. Sério... ????!!!!
Claro que não demora muito para que Blue apareça arrastando-a para longe do hotel e do irmão. Mas ela volta...e volta...e volta, sempre pensando no quanto ama Felix, o irmão mais velho, mas ela também se sente atraída por Blue, apesar de tratar ele de forma desprezível. Está formado um triângulo ridículo!
Não demora para Mira descobrir que mais da metade das pessoas em Beau Rivage faz parte de algum conto, seja sendo um amaldiçoado ou um abençoado. A protagonista faz um OK, como se fosse a coisa mais normal do mundo cair em um lugar assim. Aliás, as pessoas que moram na cidade e não fazem parte de contos não parecem perceber nada de estranho, seja nas pessoas que tem o dom de ter sempre animais a sua volta, seja na menina que tosse e expele flores e jóias e por assim adiante.
Sinceramente a heroína é tão imbecil que a maior parte do livro eu queria apenas poder enchê-la de tapas. As motivações dos personagens são estúpidas demais, não há coesão em nada, falta carisma, falta trama, falta tudo, menos idiotices. Para mim é impossível gostar de um livro em que a mocinha é a criatura mais desprezível que há na história, com sua incapacidade de julgar direito as pessoas, seu imenso egoísmo, burrice crônica, extrema falta de educação e piriguetisse (a menina de 15 anos se oferece para dormir no quarto do cara de 21 anos, na mesma cama que ele, poucas horas depois de conhecê-lo. Daí ela compra uma camisola sexy, daí ela fica de amasso com ele sempre que se encontram e depois se ofendem quando sugerem que ela e ele tem um caso). 
Junte a tudo isso o fato de que TODOS os outros personagens dizem a Mira para ficar longe de Felix porque ele é amaldiçoado e perigoso e ela deixa bem claro que ela é quem conhece Felix, mais do que até o irmão do cara, mesmo que ela conheça Felix há menos de uma semana. Claro que TODOS dizem para ela ficar longe mas não dizem o porquê (a justificativa é: a maldição de Blue e Felix impede que os outros revelem do que se trata).
No fim temos uma mensagem bem clara: meninas, pulem de cabeça nos braços do rapaz desconhecido que oferecer a você um quarto no seu hotel só porque ele contou uma historinha triste sobre a mãe que o abandonou. mas não esqueçam de que ele deve ser educado, bonito e rico! Sendo assim, está tudo bem dormir na cama com ele e dar vários amassos, mesmo você tendo 15 anos.
Outra coisa irritante é que o maior mistério do livro, qual a maldição de Blue e Felix, é tão obvia que dói!!!! CABELOS AZUIS, pessoal. AZUIS!!! Além disso Felix dá a Mira a chave de todo o seu andar no hotel recomendando que ela não vá apenas em um quarto específico...céus... e ela não se manca!!! Nem a desculpa de não conhecer contos funciona, já que há livros de contos por todos os cantos na cidade. Era só pesquisar!!!!!
Uma das coisas que mais me irritou no livro foi a perda da motivação da protagonista. A criatura fugiu de casa para encontrar os pais, mas depois de chegar a Beau Rivage ela deixou de lado a procura para ficar indo a festinhas de piscina, encontros na praia, compras, idas a shows, etc. Mesmo quando Felix aparece com a novidade de que os pais dela estão vivos e lhe dá o telefone deles Mira não faz nada. O livro acaba e os pais dela não ficam sabendo que a filha voltou para a cidade. O livro termina e fica praticamente tudo sem explicação. Aparentemente os adolescentes de Beau Rivage não fazem nada mais além de festa; eles não estudam, não tem deveres e NÃO TEM PAIS!!!! Adultos simplesmente não aparecem (exceto por Felix, que, porrrr favorrrr, comanda um Cassino aos 21 anos).
Este livro é um dos piores que já li em toda a minha vida. Nada se salva! Vou disponibilizar o epub, mas não recomendo a ninguém.

Não gosto muito desta modinha de capaz com foto e Photoshop.
Gostei muito desta capa.
Acho que nesta história toda só gostei desta capa e do personagem Caspian,
em sua busca pela sereia.


OBS: Já saiu em inglês o segundo volume desta série e é com a personagem Viv, a Branca de Neve. Tenho sérias dúvidas sobre se algum dia vou me sentir masoquista o suficiente para ler, mas...tudo é possível.



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