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Metamorfose?

Changeless - Metamorfose?

The Parasol Protectorate Vol 2 - O Protetorado da Sombrinha vol 2

Gail Carriger

2010




SINOPSE:

Alexia Maccon, a esposa do Conde de Woolsey, é arrancada do sono cedo demais, no meio da tarde, porque o marido, que deveria estar dormindo como qualquer lobisomem normal, está aos berros. Dali a pouco, ele desaparece – deixando a cargo dela um regimento de soldados sobrenaturais acampados no jardim, vários fantasmas exorcizados e uma Rainha Vitória indignada. Mas Lady Maccon conta com sua fiel sombrinha, seus artigos da última moda e seu arsenal de respostas mordazes. Mesmo quando suas investigações a levam à Escócia, o cafundó do Judas onde abundam abomináveis coletes, ela está preparada e acaba provocando uma verdadeira reviravolta na dinâmica da alcateia, como só uma preternatural é capaz de fazer. Talvez até encontre tempo para procurar seu imprevisível marido. Mas apenas se... lhe der vontade. 

COMENTÁRIOS:


O primeiro livro, apesar de todos os defeitos que eu já apontei, pelo menos me deixou curiosa e me fez rir em várias sequências. Até mesmo me afeiçoeei a alguns personagens, mas, neste segundo volume, eu me senti entediada a maior parte do tempo. A trama é fraca, o desenvolvimento absurdamente lento e alguns personagens simplesmente não interagem. Se Lord Maccon não bancasse o idiota completo, escondendo tudo de Alexia, os dois teriam resolvido o problema muito mais cedo, alias, como gostar de um casal que só interage em cenas de sexo? Os dois simplesmente não conversavam e nem compartilhavam nada.
Eu confesso que a certa altura não estava mais dando a mínima para o que estava causando a perda de "poderes" das criaturas sobrenaturais, uma vez que essa trama parecia não ir a lugar algum. Para piorar, Alexia, que no primeiro livro se mostrara uma pessoa divertida e acessível, simplesmente virou uma pessoa esnobe e arrogante, se metendo na vida amorosa da amiga e tentando afastá-la do homem por quem ela estava interessada porque ele era de classe inferior, um ator e logo se tornaria um lobisomem, o que faria com que a moça não fosse bem vista pela maior parte da sociedade. Sério isso?! Ah, e eu perdi a conta de quantas vezes eu li e reli que Alexia tinha o nariz muito grande e a pele muito escura para estar na moda. Por favor, chega disso, quem está lendo o segundo livro já está cansado de saber como Alexia é fisicamente.
A parte relacionada ao humor deu muito errado. As personagens novas são entediantes, as antigas se comportam de forma entediante, os protagonistas perderam o charme, o mistério não instiga e tudo parece que não vai chegar ao fim nunca. Para completar o desastre, quando finalmente chegamos ao fim a autora solta uma bomba que, para mim (e, pelo que sei, para um grupo bem grande de leitores), destruiu com o protagonista. Não importa o que ela faça, na minha opinião não tem perdão o comportamento dele. E eu também acho detestável quando um autor termina um livro no meio da cena, se é que posso me expressar assim. É como você estar lendo e alguém tirar o livro das suas mãos antes que você consiga terminar o paragrafo. Forma descarada de vender livros e de ser desrespeitoso com os leitores. Eu vou dar uma olhada no livro seguinte, mas já não tenho mais nenhuma espectativa em relação a ele. 


O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares

Miss Peregrine's Home for Peculiar Children

2012

Ransom Riggs


Este é o primeiro volume de uma trilogia e também é o primeiro livro do autor.

MEUS COMENTÁRIOS:


O jovem protagonista, após sofrer uma perda traumática, parte em viagem com seu pai para uma ilha galesa. Na verdade ele está seguindo pistas deixadas por seu avô. É neste local que ele encontra o Orfanato. A história é contada através do texto, narrado pelo protagonista e usando de apoio algumas fotos originais, pertencentes a coleções pessoais. O próprio Ransom é colecionador de fotografias antigas e, fazendo uso das suas e com o auxilio de outros colecionadores, ele criou esta aventura fantástica.
O "herói" da história é Jacob Portman, de dezesseis anos, de família rica, mimadinho, birrento e chatinho. Seu avô foi um grande amigo, que lhe contava história magnificas sobre o tempo em que viveu no orfanato da Srta. Peregrine, só que Jacob, a medida que vai crescendo, deixa de acreditar nas histórias do avô e começa a desprezá-lo, desrespeitá-lo e rejeitá-lo (sim, Jacob é um desses adolescentes insuportáveis e ingratos). 
Após a morte do avô, executado por uma criatura parecida com algo saído de pesadelos, ele fica em tal estado de nervos que os pais decidem interná-lo. Com esforço ele convence o pai a viajar com ele até gales (o pai logo concorda, já que era admirador de pássaros). Após se assentarem na pensão local, o garoto sai em busca do Orfanato. Encontra o local abandonado e destruído... na verdade, mais ou menos. 
Jacob conhece uma garota, Emma, e através dela acaba conhecendo as outras crianças peculiares, o "verdadeiro" Orfanato e a Srta. Peregrine. Logo é explicado que o grupo e o local estão presos em um loop originado em 1940, na véspera do bombardeio que destruiu o local. Após idas e vindas, conversas e discussões, o rapaz descobre que seu avô fora morto por um hollowgasts (os vilões da história) e que havia um na ilha a espreita deles.
Quando o livro foi lançado eu dei pulos de alegria, antecipando o prazer da leitura, antecipando uma história forte, com mistério, uma boa trama, uma aura gótica, charme na escrita e muito mais, só que infelizmente não encontrei nada disso. 
O inicio do livro é interessante, muito mesmo, mas assim que o avô se retira, o dramalhão começa. As fotografias são muito interessantes e dão um ótimo ambiente ao livro, mas infelizmente Ransom escreveu em cima delas, criando sua história tentando englobar todas as fotos que usa e as coisas ficam estranhas, e eu digo estranhas de forma nada positiva (há um grande exagero para fazer uso de todas as fotos na narrativa).
O livro, direcionado para adolescentes, fazendo uso de personagens adolescentes, mostra os mesmos se comportando como crianças e teria ficado bem melhor se seus protagonistas tivessem lá seus 10, 11 anos, no máximo (Jacob é uma pessoa insuportável, que humilha os funcionários do mercado da família, que reclama o tempo todo por não ter amigos mas que não tem a capacidade de ser simpático com ninguém e os demais personagens são tão rasos que não dá para extrair nada deles, assim como não dá para sentir nada além de irritação por eles, em algumas passagens).
Reforçando, o que mais senti durante a leitura (além de irritação com Jacob) foi o quanto a história é forçada para incorporara as fotografias, mas é forçada sem sutileza alguma, sem despertar o interesse que a fotografia conseguiu despertar. Para completar, a leitura sugere provocar tensão e um pouquinho de terror, sendo que na verdade provoca alguns bocejos. 
Uma pena que uma boa ideia como a de  Ransom Riggs tenha sido aplicada de forma tão medíocre.


Capa do volume 1 e algumas das fotografias usadas.

Um filme foi feito com a magnifica, linda e talentosa Eva Green no papel de Srta. Peregrine e acredito que vá funcionar muito bem como filme, ao contrário do tanto que não funcionou como livro.


Tenho em mãos o segundo volume e pouca vontade de continuar a leitura, então, vou enrolar um pouco e angariar forças para conseguir seguir nesta empreitada ^.^

Volume 1

Alma ?

Soulless - Alma?

The Parasol Protectorate Vol 1 - O Protetorado da Sombrinha vol 1

Gail Carriger

2009

SINOPSE:

Alexia Tarabotti enfrenta uma série de atribulações sociais, quiproquós e saias justas (embora compridíssimas) em plena sociedade vitoriana. Em primeiro lugar, ela não tem alma. Em segundo, é solteirona e filha de italiano. Em terceiro, acaba sendo atacada sem a menor educação por um vampiro, o que foge a todas as regras de etiqueta.
E agora? Pelo visto, tudo vai de mal a pior, pois a srta. Tarabotti mata sem querer o vampiro ― ocasião em que a Rainha Vitória envia o assustador Lorde Maccon (temperamental, bagunceiro, lindo de morrer e lobisomem) para investigar o ocorrido.
Com vampiros inesperados aparecendo e os esperados desaparecendo, todos parecem achar que a srta. Tarabotti é a responsável. Será que ela conseguirá descobrir o que realmente está acontecendo na alta sociedade londrina? Será que seu dom de sem alma para anular poderes sobrenaturais acabará se revelando útil ou apenas constrangedor? No fim das contas, quem é o verdadeiro inimigo, e... será que vai ter torta de melado?
Uma das séries de Steampunk mais cultuada do mundo.


COMENTÁRIOS:


O volume inicial desta série começa com a protagonista, Alexia Tarabotti, muito bem escondida na biblioteca da casa de um Duque, durante um baile. Como já havia atingido a idade de ser considerada uma solteirona e isso era constrangedor, a dama decidira ficar a vontade na biblioteca, além de mandar que lhe levassem comida (coisa inexistente no salão). Muito mais disposta a comer do que dançar, a senhorita Tarabotti é surpreendida por um vampiro extremamente mal vestido e mal educado. O tal vampiro a ataca e ela acaba por matá-lo meio que por acidente. Quando um grupo de dandies chega a biblioteca ela simula um desmaio, mas Lord Connall Maccon, Conde de Woolsey, um lobisomem escocês e membro ativo do Bureau de Registros de Criaturas Antinaturais , chega e acaba com sua farsa.
A partir daí começamos a ser apresentados aos protagonistas e ao ambiente. Alexia é uma Preternatural, pois não tem alma, sendo o contrário das criaturas Sobrenaturais, como vampiros e lobisomens. Como não possui alma, Alexia tem a capacidade de, através do toque, anular os poderes sobrenaturais (esta condição fora herdada de seu falecido pai).
A protagonista acaba se envolvendo em uma investigação relacionada ao desaparecimento de criaturas sobrenaturais. Na verdade, ela mesma dá inicio a uma investigação paralela a investigação oficial, o que coloca sua vida em risco várias vezes. 
A sociedade vitoriana mostrada no livro de Carriger já convive com criaturas sobrenaturais há mais de 300 anos, fazendo com que tudo pareça normal. Na verdade, ela mal revela o quanto foi importante a presença destas criaturas nas mudanças que o mundo sofreu. Há alguns comentários sobre como os sobrenaturais ajudaram nos avanços da tecnologia, mas só se fala realmente no uso do alumínio, jóias e balões como forma de transporte.
Confesso que foi decepcionante ler que, apesar de ser em um cenário Steampunk, os personagens ainda usavam cavalos e carruagens, a medicina era básica e estavam apenas aprendendo a usar o gás. Nem telégrafo existe. As regras da sociedade apresentadas são as mesmas que encontraríamos em um romance de época padrão. Mas o mais difícil é aceitar que toda a população não liga por ter vampiros e lobisomens entre eles, podendo ser devorados se alguns destes assim decidir. O resultado desta mistura é bem insatisfatória e carece de sentido. Eu tinha muitas expectativas sobre este livro, mas no quesito Steampunk é uma grande decepção. No quesito romance também, já que o protagonista é um grosso resmungão e eu não gosto de bodice-ripper.
Na minha opinião Carriger colocou muitos elementos e não soube desenvolvê-los. Ela parece ter escrito um romance de época e então pensou: hummm, vamos colocar vampiros, lobisomens, fantasmas, etc para circular pelas páginas e também com um visual Steampunk. No fim a história se concentra no romance, depois no lado sobrenatural e a parte Steampunk mal está lá, na presença de algumas aeronaves, algumas gadgets mal descritas no funcionamento e cientistas malucos. Resumindo: foi na onda dos livros com criaturas sobrenaturais.
Sobre o romance, no inicio eu até achei divertido, mas a medida que a história avançava começou a me irritar. De diálogos divertidos passamos a ter cenas de amassos e a protagonista pensando em como era difícil ter 26 anos e ser solteira e então mais amassos inadequados para a época e classe da moça. Confesso que continuei a ler por conta de Lord Akeldama, que me fez rir e do Beta da matilha de Woolsey. Só estes dois me levaram a ler o segundo livro (na verdade, ainda estou lendo).
Se você gosta de romances com criaturas sobrenaturais, aproveite. Se você gosta de Bodice-ripper, aproveite. Se você gosta de Steampunk, nem chegue perto. Se você gosta de romance de época sendo romance e de época mesmo, desista.

NOTA:

A série de livros foi adaptada para mangá. Dei uma espiada nas imagens e achei que a história se adaptou melhor a este meio do que o de livro. A arte é muito linda e não vejo a hora de poder ler tudo.


Capa do primeiro volume do mangá
  
Cena do ataque na biblioteca

Lord Maccon de forma engraçada

Bela arte.
Gostaria de ver um anime.

EBOOK AQUI


Foto da autora ^.^

Romance em Sonhos - Caçadores de Sonhos

The Sandman: The Dream Hunters

Escrito por Neil Gaiman

Ilustrado por Yoshitaka Amano

Publicado em 1999

Linha Vertigo



Primeiramente, vamos introduzir nossos artistas.
Neil Gaiman é um autor inglês famoso por obras em quadrinhos como Mundos da magia e Sandman, e que, nas últimas décadas, vem ganhando prestígio por livros como Deuses Americanos e Coraline. Yoshitaka Amano é um artista plástico japonês famoso por ter criado personagens da saga de jogos Final Fantasy até a sua sexta edição, continuando como ilustrador dos jogos apenas. No Japão, ao contrário do ocidente, sua fama ultrapassa videogames e é considerado um dos principais artistas plásticos modernos.

Ambos uniram-se em um projeto para criar uma Graphic Novel situada no mundo de Sandman, o mestre dos sonhos da DC Comics. Se você não gosta de quadrinhos, não se intimide, este não é o caso, falamos de um conto do melhor calibre, emoldurado com belíssimas ilustrações de página inteira.



A história é descrita como um conto de fadas japonês, onde acredita-se que raposas e texugos são criaturas que tem poderes mágicos e pregam peças, tal como o nosso brasileiro saci. Tendo este pano de fundo e passando-se numa época antiga, em que demônicos (oni e tengu) caminhavam sobre a terra junto com criaturas lendárias e mágicas, a obra requer do leitor apenas que deixe de lado sua descrença e mergulhe na fantasia, portanto não encare este livro como o documentário, mas como um filme tipo Senhor dos Anéis. Uma história profunda e bela não requer realismo, e aqui temos um ótimo exemplar.

Começamos com uma singela aposta entre uma raposa e um texugo que vivem na encontra de uma montanha, onde situa-se nas proximidades um templo budista vigiado por um monge cujo pai caiu em desgraça com a nobreza e viu-se removido de suas posses. A aposta? fazer o monge sair do templo. O monge, no entanto, não pode ser facilmente enganado, mas as coisas mudam quando a raposa desiste da aposta, pede desculpas ao monge, e descobre-se apaixonada por ele.


O personagem Sandman tem pouca importância, sendo apenas pano de fundo para o desenvolvimento de uma pequena parábola sobre como vidas podem ser ligadas eternamente de maneira muito rápida e fácil, e que mal notamos o seu desenvolvimento. E é este o papel do mestre dos sonhos, ser uma voz que nos mostra o que é claro para o coração, o que é certo ou errado, como se fosse a consciência lutando contra o impulso.



Segue-se uma trama sobre inveja, força, vingança e principalmente, bondade. Somos levados a nos indagar, ao fim, sobre a existência de diferentes tipos de amor, inclusive aquele que se desenvolve pela convivência e amizade. Também qual o significado do sacrifício, e se ele vale a pena, mesmo que seja para aprendermos com nossos erros.


Não é possível recomendar pouco esta obra, se você gosta de histórias orientais, lendas, fábulas, romances, quadrinhos ou apenas uma leitura rápida para um feriado, Caçadores de Sonhos, é um item obrigatório, não apenas para consumir, mas possuir e guardar como uma joia que gostamos de ficar olhando o brilho a cada pouco.

Quadrinhos 8 - Orquídea Negra

Black Orchid

Escrito por: Neil Gaiman

Ilustrado por: Dave McKean


SINOPSE:


Uma super-heroína recebe um tiro na cabeça em uma sala de reuniões de uma corporação anônima. O corpo dela é consumido pelas chamas, e seu assassino vai embora em liberdade. Assim começa ORQUÍDEA NEGRA, de Neil Gaiman e Dave McKean, uma das histórias em quadrinhos mais marcantes e de maior influência. Destruindo e recriando ao mesmo tempo todo um gênero, esta história das incríveis vidas de Susan Linden trouxe uma nova maturidade à narrativa gráfica e revolucionou o meio, sendo uma precursora da criação da linha Vertigo.


OPINIÃO:

Susan Linden apareceu pela primeira vez no universo dos quadrinhos em 1973. Ela era invulnerável a balas, tinha super força, voava e era mestre em disfarces. Era frequente nas aventuras de Susan ela investigar um caso inteiro disfarçada (uma empregada, secretária, etc) e os demais personagens só descobrirem quem era ela após a conclusão do caso, ao encontrarem as roupas que ela usara, junto com um cartão de visitas escrito "Orquídea Negra". Nada se sabia em relação ao passado da protagonista, nem mesmo seu verdadeiro nome. 

Foi Neil Gaiman quem lhe deu uma origem ao lançar uma mini série em três partes em 1988, além de lhe dar um nome.
A trama gira em torno da morte e renascimento de Susan Linden, conhecida como Orquídea Negra, uma combatente do crime. No inicio do primeiro volume ela estava investigando uma empresa suspeita de ter cometido vários crimes e ligada a Lex Luthor. Quando o ex-marido de Susan, que estava preso, é solto e demitido por Lex Luthor, uma série de eventos tem inicio, começando com o assassinato da protagonista e sua "volta" como um híbrido meio-humana e meio-planta.
Na versão de Gaiman Susan Linden, casada com um marido abusivo (Carl Thorne), recorre a um antigo namorado, Doutor Sylvain (relacionado ao Monstro do Pântano) que a acolhe até que Carl consegue matá-la. Sylvain então usa o DNA de Linda e cria vários híbridos
Gaiman transformou a história de Susan, criando uma origem para uma nova Orquídea Negra que estava ligada a Jason Woodrue, Pamela Isley e Alec Holland (os dois primeiros vilões e o ultimo o herói Monstro do Pântano). A história é sobre perdas, amor, e a busca por uma identidade em um mundo não familiar.
É cair na repetição, mas não canso de lembrar que a arte de Dave McKean é absolutamente espetacular! Eu teria comprado esta obra mesmo se não houvesse nenhum diálogo em todos os volumes.

A história se desenvolve de forma lenta e muito distante da costumeira moral encontrada em quadrinhos na época em que foi lançada. É um dos primeiros trabalhos de Gaiman. Podemos ver algumas características costumeiras, mas Orquídea Negra é mais experimental; as vezes ela anda aos tropeços, as vezes com mais segurança, mas jamais sem poesia e a arte intensifica esta sensação de sonho. Eu diria que a sensação que mais senti com esta leitura foi a de melancolia.

A Sociedade Cinderela

The Cinderella Society

Kay Cassidy


SINOPSE:


Aos 16 dezesseis anos, Jess Parker se acostumou a ser invisível. Depois de mudar de escola várias vezes por conta do trabalho do pai, ela se conformou com o status de eterna garota nova. Mas agora Jess tem a chance de uma vida: um convite para participar da Sociedade Cinderela, um clube secreto das garotas mais populares da escola, onde makeovers fazem parte do pacote. Mas há mais a ser uma Cindy que apenas reinventar o visual. E Jess está prestes a descobrir.

COMENTÁRIOS:


Eu gostei bastante das primeiras páginas deste livro, mas a medida que ia avançando, comecei a ficar desgostosa com a leitura. O que mais me incomodou não foi a trama ser completamente irreal (eu gosto muito de coisas fora da realidade), mas por ser absolutamente tola, se tornando cada vez mais perdida e confusa. Alias, fica bem visível, na minha opinião, que Kay Cassidy se perdeu por completo ao longo de sua história.
A protagonista Jess é a garota nova na escola, mas ao contrário do padrão, ela é uma ótima cheerleader. Ela é tão boa que ao fazer os testes para conseguir uma vaga desbancou a garota mais famosa e maldosa do colégio, Lexy, o que tornou sua vida muito difícil, já que Lexy conseguiu voltar todos na escola contra ela, transformando-a em uma pária.
De repente Jess é escolhida com mais seis garotas para integrar um grupo, uma espécie de sociedade secreta chamada Sociedade Cinderela. No incio eu achei que podia ser algo divertido, um grupo de garotas com a missão de fazer coisas boas, mas não demorou a virar a maior de todas as viagens.
As Cindys eram inimigas das Wickeds. Cada uma das sociedades iniciava a cada ano 7 garotas. As primeiras faziam boas ações, as segundas, más ações (isso realmente me pareceu absolutamente idiota).
Pois então, os dois grupos estavam sempre em guerra. Jess passa por um treinamento para se tornar uma Cindy, recebe uma transformação de visual e aprende a se defender de uma Wicked e contra atacar (mas sempre sendo boazinha). Nenhuma das meninas esteve ou estava de bem com ser o que eram, todas precisaram passar por uma transformação física, então, legal, o livro deixa bem claro que o que realmente importa, no fim, é a aparência (claro que na vida real ajuda, mas sabemos que está longe de ser tudo na formação de uma pessoa).
Sinceramente... a ideia do livro é boa... de inicio.. mas vira uma coisa estupida... muito estupida! O pior de tudo é que a tal Sociedade Cinderela é uma organização Nacional, cheia de supermodelos, atletas e atrizes famosas e outros tipos de mulheres famosas. Todas são maravilhosas e famosas! Porrrr Favorrr!!!!
E, para completar a idiotice, Jess, que não tinha nada de especial e havia acabado de entrar na Sociedade é escolhida a sua líder. Sim! A garota nova se torna a líder de uma Organização Nacional e sua maior missão é trocar farpas com Lexy. Mais imbecil é difícil!
Nunca pensei que para combater as garotas más e metidas dos colégios fosse necessário uma Organização Nacional com uma sede típica de filmes de espionagem, escondida sob uma cafeteria em uma espécie de bunker luxuoso.
Não posso esquecer que também há um romance entre Jess e Ryan, irmão mais velho de Lexy. Ryan é um Encantado, mas ele anda com os Vilões (falando em rotular...).
Este livro é uma confusão só, o que tornou difícil fazer uma review, já que até agora estou tentando colocar as coisas em ordem (sem sucesso). Quando cheguei ao fim fiquei pasma em perceber que todo o livro era um prequel, já que NADA acontece e o combate entre os grupos nunca se realiza e coisa nenhuma se revela ou resolve.
O livro é tão, mas tão ruim que Kay Cassidy reescreveu uns anos depois e relançou com o título de  Secrets of the Sisterhood: The Cinderella Society 1. Inicialmente A Sociedade Cinderela teria uma continuação intitulada Cindy on a Mission, mas com o relançamento do primeiro volume com algumas mudanças na trama e no título, o segundo volume parece ser Curse of the Wickeds: The Cinderella Society 2 e depois Charming in Disguise: The Cinderella Society 3. Cindy on a Mission: The Cinderella Society 4, viria após estes volumes todos e não sei se é o ultimo. Só sei que não pretendo reler (para ver as mudanças feitas para a edição mais recente) e nem continuar a seguir a trama.
Não recomendo!

EBOOK AQUI
Capa primeira edição
Brasil.
Capa primeira edição
Original.

Lugar Nenhum

Neverwhere

Neil Gaiman
SINOPSE:

Em 'Lugar Nenhum' Neil Gaiman conta a história de Richard Mayhew, um jovem escocês que vive uma vida normal em Londres. Tem um bom emprego e vai se casar com a mulher ideal. Uma noite, porém, ele encontra na rua uma misteriosa garota ferida e decide socorrê-la. Depois disso, parecer ter se tornado invisível para todas as outras pessoas. As poucas que notam sua presença não conseguem lembrar exatamente quem ele é. Sem emprego, noiva ou apartamento, é como se Richard não existisse mais. Pelo menos não nessa Londres. Sim, porque existe uma outra - a Londres-de-Baixo. Constituída de uma espécie de labirinto subterrâneo, entre canais de esgoto e estações de metrô abandonadas, essa outra Londres é povoada por monstros, monges, assassinos, nobres, párias e decaídos - e é para lá que Richard vai.



RESUMO DA HISTÓRIA:

Gaiman nos apresenta neste livro a história de Richard Mayhew, um jovem escocês que vive em Londres há dois anos e que certa noite sai com sua noiva, Jéssica, para jantar com o chefe desta. No caminho encontram uma moça ferida, que parece surgir do nada. Apesar dos protestos de Jessica, Richard decide cuidar da moça, que se chama Door, e a leva para sua casa, ao invés de ir ao jantar.
Na manhã seguinte, quando Door está melhor, ela pede a Richard que encontre o Marquês de Carabas, um homem que poderá ajudá-la a fugir de dois assassinos que estão caçando-a: Croup e Vandemar. Richard encontra o Marquês e o leva para seu apartamento a fim de se encontrar com Door. Os dois desaparecem quase de imediato, também do nada, deixando para trás um rapaz confuso e que não demora a descobrir que todas as pessoas que o conhecem deixaram de vê-lo e até o seu apartamento é alugado enquanto ele ainda vive lá.
Determinado a corrigir as coisas, Richard parte para o mundo da Londres de Baixo à procura de Door. Nesta busca Richard encontra todo o tipo de criaturas e personagens perigosas e caricatas que nunca pensou existirem na parte subterrânea de Londres.



COMENTÁRIOS:

Há algo na obra de Neil Gaiman que sempre me atrai, me conquista, mesmo que em níveis diferentes de profundidade. Acho que é a coragem de se arriscar em mundos desconhecidos e criar toda uma mitologia, a criatividade, a forma de dialogar com o leitor, de nos aproximar de seus personagens e de inserir algo sombrio por mais leve que seja o tema.
Um bom exemplo disso é o protagonista de Neverwhere, Richard Mayhew, uma rapaz normal, que trabalha, tem problemas, uma noiva... ele não é um herói, não é cheio de coragem e criatividade e sua noiva é quem comanda o relacionamento.
Toda a sua vida vira de cabeça para baixo (literalmente) após conhecer Door, ajudá-la (contrariando os desejos de sua noiva) e ir atras do (ótimo) Marques de Carabas. Ao se envolver com Door e seus problemas Richard fica invisível; ninguém mais parece ter a capacidade de vê-lo ou ouví-lo, salvo algumas exceções e mesmo assim, quem o vê ou ouve não consegue lembrar quem ele é. Sem opções Richard vai a Londres de baixo em busca de Door, na esperança de ter sua vida de volta.
A Londres de baixo é um lugar que se assemelha a um labirinto bizarro, perigoso, cheio de criaturas estranhas, desconhecidas, de pessoas que parecem vir de contos de fadas e terror e o pobre Richard se vê totalmente perdido e assustado.
Em sua busca por Dorr o rapaz descobre que a família dela foi assassinada e que alguém a quer morta. A moça tem um talento muito especial: ela pode abrir qualquer porta e criar portas. Atrás dela estão os muito assustadores Mister Croup e Mister Vandemar.
Richard se junta a Door e a Hunter (uma mercenária que está protegendo Door) na busca pelo anjo Islington na esperança de corrigir o que foi feito a ele e de desvendar as mortes da família da moça.
Eu gostei muito deste livro, embora ele não seja um dos meus livros favoritos de Gaiman. Door é uma personagem fácil de simpatizar, assim como Richard, apesar de sua falta de criatividade, mas o meu favorito é De Carabas, com sua esperteza e maneiras ladinas. Temos até uma espécie de TARDIS em forma de metrô, maior por dentro, menor por fora... (sim, Neil Gaiman é fan de Doctor Who).
Neverwhere é o tipo de história que Gaiman escrevia na época de Sandman, mais sombria, mais bizarra, mais assustadora e cheia de situações que parecem sem solução. Gosto mais dos trabalhos atuais dele, que possuem um tom mais "vivo", mais poético, mas este livro vale muito a pena, especialmente para quem gosta de fantasia mas não morre de amores por fadinhas purpurizadas :-)

AQUI!!!!


                           

Neverwhere foi transformado em mini série pela BBC. Alguns dos atores não eram conhecidos meus na época em que assisti, mas agora é engraçado ver Peter Capaldi, o novo Doctor Who, como o anjo Islington.



Fiquei sabendo a pouco tempo que vão transmitir por rádio uma nova adaptação, com atores que são famosos e dos quais gosto muito.


LISTA DE PERSONAGENS RADIO DRAMA:

Primeira Coluna personagens, segunda, atores que fizeram os papéis na mini série e terceira, atores que farão os personagens no Radio Drama.

Richard MayhewGary BakewellJames McAvoy
DoorLaura FraserNatalie Dormer
The Marquis de CarabasPaterson JosephDavid Harewood
HunterTanya MoodieSophie Okonedo
The Angel IslingtonPeter CapaldiBenedict Cumberbatch
Mr. CroupHywel BennettAnthony Head
Mr. VandemarClive RussellDavid Schofield
Old BaileyTrevor PeacockBernard Cribbins
LamiaTamsin GreigLucy Cohu
The AbbottEarl CameronGeorge Harris
                                           
  

O Oceano no Fim do Caminho


The Ocean at the End of the Lane

Neil Gaiman


Neil Gaiman, com Cabal e Lola.

SINOPSE:

Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.

Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.




COMENTÁRIOS:



O Oceano no Fim do Caminho é narrado segundo o ponto de vista de um artista (bem sucedido porém melancólico), que retorna a casa onde morou na infância, em Sussex, para um funeral. A história começa quando o narrador relembra seu aniversário de 7 anos, definido por ele como um acontecimento desastroso, já que ninguém apareceu para sua festa de aniversário. 

Aos 7 anos nosso protagonista (não sabemos o nome dele), passava seu tempo livre decorando as músicas de Gilbert e Sullivan, lendo vários livros e brincando com seu gatinho. O mundo de fantasia que ele havia criado o ajudava a lidar com a indiferença da família e dos colegas de classe. 
Nesta época seus pais, assim como muitos outros, tinham sérios problemas de falta de dinheiro. Na esperança de melhorar as finanças, os pais decidem alugar o quarto do menino, colocando-o junto com a irmã, no quarto dela. O inquilino que conseguem era um minerador de Opalas, que mata o gatinho do protagonista acidentalmente (o homem dá um gato adulto para o menino, mas é claro que não funciona. O gatinho era amado e único e o gato que ele recebeu do minerador era adulto e não suportava contato humano) e mais tarde se suicida no carro da família, bem no fim da rua.
Este acontecimento dá inicio a uma grande reviravolta e a algo que não deveria acontecer em nosso mundo. Um peixe morto, que engoliu uma moeda antiga, encontrou algo estranho, poderoso e perigoso. Esta criatura consegue entrar na casa do menino, onde apenas ele sabe que aquilo não é o que diz ser e que traz para a família muito perigo. É assustador descobrir, aos olhos do menino, que os pais não são necessariamente fortes e compreensivos e que não vão salvar você do mal.
Havia três mulheres morando em uma casa no fim da rua: A velha Senhora Hempstock, Ginnie Hempstock e Lettie, que dizia possuir um Oceano, mas que na verdade parecia apenas um Lago. O minerador havia parado seu carro perto da casa delas e é assim que o menino se torna amigo das Hempstock. Ao procurar pelo carro com o pai, os dois encontram o minerador e, enquanto esperam a policia (e durante a investigação policial) o menino fica na casa do fim da rua.
Com a ajuda das Hempstock, que não são apenas mulheres (uma velha, uma adulta e uma jovem) o menino enfrenta esta criatura e tenta libertar não só sua família, como também a humanidade, já que ela está em risco ao ocorrer esta ruptura entre mundos. O Oceano desempenha seu grande papel no final da aventura e é uma linda sequencia... e eu confesso que chorei, chorei até quase me afogar.
Este livro foi classificado como livro adulto que pode ser lido por crianças, mas não sei se também não é um livro infantil feito para adultos. Há algo de tocante, belo, assustador, intenso... Neil Gaiman tem o dom de misturar coisas encantadoras ao que nos mete medo e de repente tudo parece um lindo dia de sol, com pássaros cantando, o vento soprando e apenas algumas nuvens deslizando e escurecendo algumas partes do nosso caminho.
Eu lembro que as primeiras obras de Gaiman pós Sandman eram muito sombrias, mas aos poucos ele começou a encontrar um novo caminho... talvez um certo otimismo. O Oceano no Fim do Caminho é um belo conto sobre infância, sobre crescer, sobre amor e amizade. É o livro de Gaiman que mais me emocionou e eu recomendo com entusiasmo.


A capa do meu livro tem esta ilustração,
que, eu creio, é muito adequada a história.
Esta capa não me agradou muito.

ILUSTRAÇÕES DE DAVE MCKEAN




 
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