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Milha 81

Stephen King

SINOPSE:

No local (que já foi mencionado brevemente no livro O Apanhador de Sonhos) há uma parada de descanso, onde um garoto de 10 anos, chamado Pete Simmons, acha uma garrafa de vodca e bebe até desmaiar. Enquanto isso, um carro da marca Station Wagon coberto de lama, chega ao local (ignorando a placa que diz que a parada não está mais em serviço). A porta do veículo abre, mas de lá ninguém sai. Logo, Doug Clayton que por lá passava, estaciona para ver se está tudo bem com o “motorista”. Dez minutos depois, Julianne Vernon, também pára para ajudar, e encontra o celular de Doug quebrado, próximo à porta do Wagon, e também acaba se aproximando demais… Quando Pete acorda, ele percebe que há meia dúzia de carros na parada de descanso da Milha 81, e descobre que duas crianças (Rachel e Blake Lussier) e um cavalo chamado Deedee são as únicas coisas que sobraram, a não ser, é claro, que você conte o Wagon.

COMENTÁRIOS:



A história gira em torno de um menino de 10 anos a partir do momento que seu irmão mais velho sai com os amigos e o proíbe de acompanhá-los. O menino mais jovem então decide explorar uma área abandonada na milha 81 que costumava ser usada para encontro de adolescentes.
A primeira parte do livro serve para entrarmos na cabeça do jovem Pete, o que o torna absolutamente real para quem lê, alias, talento nato de Stephen King. É fácil entender a decepção do menino e seu desejo de viver uma aventura que possa contar ao irmão de 14 anos que provoque inveja e arrependimento por não tê-lo levado ao passeio com os amigos.
É interessante que o protagonista saia de cena assim que a ação começa e reapareça apenas no final, quando a situação realmente está ruim para os demais personagens.
Pete vai até uma lanchonete abandonada e lá encontra uma garrafa de vodca. Decidido a levar avante sua aventura ele bebe alguns goles e acaba pegando no sono. Após o menino adormecer pelo efeito do álcool um carro para no meio fio e a porta do motorista abre, mas ninguém sai de lá. Todo o carro está coberto de lama, o que impede  que se veja o seu interior, além da placa.
Doug Clayton, que dirigia atrás do estranho carro, para a fim de oferecer ajuda ao motorista. Ele é o primeiro a experimentar todo o terror que jamais poderia imaginar que lhe acometeria. logo Julianne Vernon e depois o casal Lussier e até um integrante da polícia do Maine vão ser as vítimas. A esta altura Pete desperta. A diferença entre ele e os outros é que talvez ele possa acabar com o terror.
Milha 81 é muito longo para ser considerado um conto e muito curto para ser uma Novela. A história é simples: Um carro do mal! Pessoas que são suas vítimas! Um menino que tenta salvar o dia!
Altamente recomendado para fãs de terror, ficção, suspense e Stephen King.

AQUI!!!!



Yargo

Jacqueline Susann

SINOPSE:

Uma jovem da Terra é sequestrada por seres provenientes de Yargo, planeta avançadíssimo, pertencente a outro sistema solar e habitado por um povo intelectualmente muito elevado. Porém o visado no seqüestro fora, realmente, um grande cientista a quem os yargonianos pretendiam transmitir informações vitais para a sobrevivência da Terra, e ao verificarem o engano acharam que seria perigoso devolver a jovem ao seu planeta pelos conhecimentos que ela agora possuía de Yargo.
Contudo, um de seus líderes (Yargo) correspondia ao amor que florescera no coração da jovem...
Em torno desses elementos, Jacqueline Susann armou um enredo fascinante no qual se entremeiam o fantástico de viagens interplanetárias em discos voadores e uma história de amor extraordinariamente terna, que colocam este livro, Yargo - Uma História de Amor, ao nível dos seus excepcionais romances.


COMENTÁRIOS:

Eu li Yargo quando tinha cerca de 15/16 anos e desde então ele está na lista dos meus favoritos. Foi uma grata surpresa o que encontrei em suas páginas. Lembro o quanto torci por Janet, o quanto me envolvi em sua história, o quanto ri de seu senso de humor e como amei o yargo com ela; o quanto torci para acontecer um milagre e ele vir a amá-la. Yargo é um livro doce, de ficção e romance, aventuras e surpresas, quase como um filme dos anos 50 (posso bem imaginar o visual kitsch, colorido e cheio de prateados e as mulheres de olhos desenhados a kajal e cabelos armados, penteados para trás e claro, o belo Yul Brynner, que a autora usou como modelo para o Yargo).
A história de Yargo é relativamente simples. Janet Cooper é uma jovem que estudou o suficiente para ter um emprego simples até encontrar um bom pretendente, casar e ter filhos. Apesar de estar noiva Janet não está feliz e, em um momento de nostalgia, ela tenta recriar a magia do passado a fim de sentir um pouco daquela alegria. Para tanto ela vai a praia onde passara momentos alegres na infância e, logo percebe que o passado está morto, mas... pasmem, ela é abduzida.
Seu rapto é um erro. Os aliens pretendiam pegar Albert Einstein a fim de explicar (a um dos maiores cientistas da terra) que os teste nucleares estavam causando uma atividade negativa em nosso sol e que esta atividade estava acelerando o processo de transformação do sol em uma supernova, o que levaria ao fim de nosso sistema solar. Logo o grupo percebe que cometeu um erro e chega a conclusão de que a moça não pode ser devolvida. 
Sendo assim, lá vai Janet com eles para o planeta Yargo, que fica em outra galaxia, é povoada de pessoas fisicamente perfeitas, governada por um líder chamado igualmente de Yargo e que podem ser facilmente comparadas aos Vulcanos (Star Trek), já que mantém os sentimentos tão sob controle que nem sabem mais que os tem.
A pobre moça, depois de uns dias confinada a seus aposentos provisórios em Yargo, fica sabendo que não a querem no planeta por ser muito atrasada e que os yargonianos estavam negociando para mandá-la a Marte, já que não confiavam que ela não contaria ao povo da Terra sobre Yargo, além de terem certeza de que ela não seria capaz de comunicar ao povo da Terra a mensagem deles como deveria ter sido se conseguissem Einstein.
A esta altura eu estava muito indignada com os yargonianos. O erro fora deles, mas eles não queriam a coitada em seu planeta, criando então dois planos: se Marte a aceitasse ela viveria no planeta em uma instalação subterrânea (sendo que os marcianos eram algo parecido com lagartos... lagartos muito inteligentes); se Marte não aceitasse ela viveria isolada em uma nave, orbitando em algum lugar seguro (mas com tudo que fosse necessário para uma vida de estudo).
Depois de muita negociação os marcianos aceitam Janet e, na viagem de ida a Marte, a nave em que estão é forçada a pousar em Vênus, planeta que os yargonianos julgavam desabitado. Logo o grupo é capturado pelos venusianos, que são criaturas meio humanas e meio abelhas (realmente assustadoras). Os homens são executados e Janet, junto com Sanau (sua tradutora e com quem ela insistia em tentar fazer amizade) são feitas prisioneiras. A partir daí a trama se aprofunda e vem a maior parte da história, a mais tensa e cheia de surpresas (nem todas agradáveis).

TRECHO:

Sanau tinha razão. Ele era supremo!
Cada yargoniano presente, embora magnífico, parecia in­significante em comparação com aquele soberano. Era como se eu estivesse vendo um leão no meio de uns filhotes ma­gricelas.
A princípio, pensei que fosse o seu porte que o fazia tão diferente. Ele se movia como uma pantera, com o porte régio de um leão. Sim, era isso! Os movimentos dele eram tão majestosos, tão graciosos, tão irreais, que ele parecia.
uma pantera. . . um leão. . . um verdadeiro rei. Vestia-se de modo idêntico aos demais, e no entanto seu corpo era per­turbadoramente diferente; não na estatura, mas na coorde­nação muscular. Era quase como se eu pudesse ver o jogo dos seus músculos, num ritmo perfeito. Ele me fazia lembrar uma estátua de bronze de um deus, que o artista só consegue enxergar com os olhos da imaginação.
Caminhava devagar, sem aparentar perceber o fascínio que exercia sobre os que o cercavam. Atingiu o tablado e ergueu a mão num cumprimento. Seu povo ergueu-se como um só homem, e ficou em posição de sentido por um mo­mento, fitando-o com franca adoração e admiração.
Havia adoração no olhar deles, como se fossem um gru­po de padres que, de repente, tivessem uma visão do seu santo mais sagrado. Enquanto admirava tal espetáculo, per­cebi que essa adoração completa era da escolha do próprio povo. Nada havia nas atitudes dele que demonstrasse que a exigia. Ele não era nem pomposo nem autocrático. Sua ati­tude para com os súditos era de calma dignidade e interesse genuino.
Eu estava lutando pelo meu próprio equilíbrio, e, quan­do ele me lançou um olhar, fiquei tão perturbada que não consegui encará-lo. Não consegui nem mesmo corresponder ao cálido sorriso que me ofertou. Já ia dizer qualquer coisa para disfarçar o nervosismo quando, felizmente, me lembrei de que não podia falar até que ele desse início à conversa. Essa lembrança repentina provavelmente poupou-nos aos dois um bocado de embaraço, pois sabe-se lá que tolice es­caparia dos meus lábios.
Fiquei de olhos grudados no chão. Queria olhar para ele. Sentia-me atraída para ele com uma força quase hipnó­tica, e no entanto não pocl~i fitá-lo nos olhos. Os olhos dele! Sim, era isso. Os olhos dele!
Não eram como os dos outros. Tinham a forma oblí­qua, sim, mas eram de um azul brilhante de água-marinha. Um azul tão impressionante, que fazia com que eles pare­cessem duas enormes pedras engastadas na sua pele cor de bronze. Talvez possuísse um poder hipnótico. Afinal, bastou um olhar para que eu perdesse todo o meu senso de equi­líbrio.
Ele fez sinal para que eu me sentasse. Consegui fazê-lo com meu encanto e graça costumeiros, o que simplesmente derrubou com estrondo um copo cheio de água.
Mas ele nem sequer piscou aqueles olhos arrasadores. Lançou-me outro sorriso letal e falou:
— Permita-me que lhe deseje as boas-vindas, embora com atraso, ao planeta Yargo.
Respondi “obrigada”. Uma resposta não muito notável, mas pelo menos eu conseguira falar.
Mais uma vez ele sorriu, e mais uma vez eu desviei o olhar. Levaria tempo para criar resistência àqueles olhos.
Virou-se para o Líder Corla, o que me deu uma breve trégua parà organizar meus pensamentos desintegrados. Sen­tia nojo de mim mesma. Ele me dera as boas-vindas. Falara primeiro, e eu agira com menos firmeza do que jamais de­monstrara. Eu era mesmo um orgulho para a minha raça! Ele me dera as boas-vindas e eu resmungara “obrigada”. Obrigada! Obrigada por quê???? Por arrancar-me da Terra, por humilhar-me, e agora despachar-me para junto de uma raça com aspecto subumano. Ah, mas por que eu não tivera coragem para dizer: “Não quero que me dê boas-vindas, basta que me mande para o lugar onde me encontrou”?
Mas não tivera. Dava respostas brilhantes quando esta­va sozinha, mas era sempre apagada, insegura e conformada quando diante de uma situação real. Até mesmo num outro planeta eu era a mesma — a Janet Cooper simples e comum.
Mas eu mudaria. Nos meus sonhos sou a mais corajosa das heroínas. Na minha imaginação, todas essas coisas estão
dentro de mim, e naquela noite elas viriam à tona. Eu po­deria ir para Marte, mas pelo menos iria com um pouco de respeito próprio.
Bastava que, da próxima vez que ele falasse comigo, eu lhe evitasse os olhos. . . só isso. Mas é que a voz dele tam­bém era perturbadora.
Puseram o primeiro prato à minha frente. Tentei for­çá-lo goela abaixo. Precisava comer para provar que não estava tão apatetada pela presença dele quanto parecia. Com esta idéia em mente, consegui engolir alguma coisa.
Foi durante o segundo prato, quando eu já desanimara de que voltasse a dirigir-se a mim, que ele falou. Antes mesmo de erguer os olhos, eu já sabia que ia falar. Senti fisicamente o olhar dele.
— Saiba que estou muito condoído com a situação em que a colocamos — falou. — Tenho perfeita ciência de seus sentimentos.
A Janet Cooper real, mas oculta, gritou silenciosamen­te: “Então me mande para casa!”
Mas aquele bolo de carne que estava ali presente deu um risinho idiota, ficou encantada com a perfeição do inglês dele e pensou: “Mas que dentes maravilhosos ele tem!”


Esta é a capa do volume que li pela primeira vez.
Acho linda!
Esta é a sobrecapa do meu volume atual.
Esta capa é mais interessante por ter o rosto de Yul Brynner
ao fundo do que pela beleza.
Feia! Realmente feia!
Esta capa é a mais comum e tem uma carinha terrível de anos 80.

O charmoso e talentoso Yul Brynner,
que serviu de inspiração para o Yargo.

Fumaça e Espelhos:Contos e Ilusões

Smoke and Mirrors

Neil Gaiman

SINOPSE:

Dos 31 contos (e poesias) que compõem Fumaça e Espelhos, são poucos os que não surpreendem de cara pelas ideias. E os que não chamam atenção nas primeiras linhas geram várias surpresas posteriores, pois você nunca sabe se aquele jovem pacato é um lobisomem ou se o heroico narrador do conto é o assassino. Ou mesmo o assassinado.

Fumaça e espelhos é uma coletânea de textos que Neil Gaiman escreveu nas décadas de 80 e 90. Na categoria de escritor ficcionista profissional, ele teve contos encomendados e publicados por diversas revistas e coletâneas, o que logo se nota pela diversidade de temas. Há desde a sua conhecida predileção por terror fantástico e magia até um conto erótico. Um elemento, porém, une todos os textos: seu vínculo com a tradição.

COMENTÁRIOS:


Antes de qualquer coisa vou dar uma dica para quem for ler Fumaça e Espelhos: Gaiman escondeu uma história dentro da introdução deste livro como uma espécie de recompensa para aqueles que leem religiosamente a introdução. Eu já disse para vocês que amo Neil Gaiman?!

Bem, vamos ao livro. É muito difícil dar um resumo geral, já que se trata de um livro que contém vários contos. É, sem sombra de dúvida, meu livro de contos favorito de Gaiman, e um de meus livros favoritos de todos os livros dele publicados até o atual momento. Alguns dos contos são fantásticos, outros excelentes, outros apenas legais, mas a experiência que você vai viver é algo de muito especial, da forma como só Neil Gaiman é capaz de proporcionar; um pouco de fantasia, de mitologia, de terror, de tristeza, de alegria, de beleza, de feiura... e no fim, apesar de tudo ser apenas uma ilusão você não consegue afastar a sensação de que havia um pouco de realidade em cada história. 

Abaixo, um pouco sobre cada um dos contos com ilustrações feitas para eles por Dave McKean:

Cavalaria: Uma velha senhora compra o Santo Graal. Um cavaleiro de armadura surge em busca do cálice. Gaiman escreveu de forma que o fantástico parece algo costumeiro, numa sequencia bem dia-a-dia no estilo britânico de ser; por exemplo, quando Galahad surge a porta da senhora, ela não acha nada estranho e o diálogo entre eles beira o absurdo e que lembra muito Monthy Phyton (que eu amo de paixão ^^).

Nicholas era...: Um conto de Natal que não fala sobre perdoar. Na verdade, um mini-conto que Gaiman escreveu para servir de cartão de Natal para os amigos.

O Preço: Drama, sangue, anjos e gatos. Não poderia ser melhor. Este conto é muito, muito lindo e eu chorei, quando li da primeira vez. Tenho este conto ilustrado juntamente com A Filha das Corujas.

A ponte do Troll: Uma história com um fim que não está escrito, ele apenas pipoca na sua mente. Um conto sobre alegria e sobre tristeza e... sobre um menino, um troll e uma ponte.

O Palhaço: Uma história de terror com um Jack in the Box... história de terror com palhaços são redundantes, não são?! (hehehehehe). Eu tenho problemas com palhaços desde pequenininha, quando, todas as noites, eu pegava no sono vigiando um palhaço recheado de palha que ficava no meu quarto. Você não conseguiriam imaginar o quanto este palhaço tinha um sorriso malévolo e como eu tinha medo dele. O palhaço deste conto é um pouco pior.

O Lago dos Peixes e Outras Histórias: História de um escritor que vai ter seu livro adaptado para filme em Hollywood. Este conto é meio parado e não me disse muita coisa. Foi o que cheguei mais perto de dizer que não gostei, só não desgostei porque é meio autobiográfico.

A Estrada Branca: Bizarro, macabro, fantástico! Preciso encontrar o conto original inglês sobre o Senhor Fox, que é o Barba Azul britânico, na literatura folclórica.

A Rainha das Facas: Uma homenagem a HP Lovecraft, com show de mágica e ilusões e um final... bom, leia e você vai entender.

Mudanças: Ficção científica do tipo mais bizarro. A cura para o câncer e a descoberta de como criar anjos.

A Filha das Corujas: Fabuloso e triste, é claro. Um conto de fadas sem fadas. O final é de provocar um sorriso. Tenho este conto ilustrado em uma edição especial juntamente com o conto O Preço, só que com o título de Gato Preto (bem mais adequado).

Shoggoth’s Old Peculiar: Mais uma homenagem a HP Lovecraft. Turista norte americano visitando de mochila o interior da Inglaterra e chegando a uma cidadezinha chamada Innsmouth, onde conhece alguns sacerdotes de Cthulhu.

Vírus: Imagine jogos de computador como nossos inimigos, se infiltrando em nossas mentes como se fossem vírus.

Procurando a Garota: um conto muito bem escrito sobre um cara que fica enlouquecido por uma mulher que ele vê numa revista masculina.  (imagem da direita).

Apenas o Fim do Mundo Novamente: O fim do mundo com inspiração em Lovecraft, então, só vou ressaltar: muito bizarro, muito doido, muito divertido, com um protagonista lobisomem e mais Innsmouth e Cthulhu.

Bay Wolf: Uma releitura de Beowulf e Baywatch feita de forma divertida, com o mesmo protagonista do conto anterior.

Arremate por Atacado: Totalmente um episódio de Além da Imaginação. 

Uma Vida Gestada nos Primeiros Trabalhos de Moorcock: Moorcock é o criador de Elric e o conto é sobre um garoto que adora as histórias de Elric. Não gostei muito, confesso.

Cores Frias: Uma espécie de história-poema. Acho que funcionaria melhor tendo ilustrações para acompanhá-la.

O Varredor de Sonhos: Totalmente um conto do universo de Sandman. Curto, simples e legal.



Partes Estrangeiras: Este conto mistura sexo e terror e ficção científica. Imagine Invasores de corpos começando pelas genitálias.

Sestina do Vampiro: Um poema.


Camundongo: Como uma pessoa pode parecer boa e na verdade ser um fdp.

A Mudança do Mar: Poema-história.


Quando Fomos Assistir ao Fim do Mundo. Por Dawnie Morningside, Idade: 11 anos e 3 meses: A visão de um garoto sobre um passeio em família num mundo um pouco diferente do que é o nosso.


Gostos: Conto pornográfico misturado ao sobrenatural. Neil Gaiman afirma ter levado quatro anos para conseguir escrevê-lo, de tão envergonhado que ficava, hehehehe.

Bolinhos de Bebê: Um jeito muito bom de falar sobre as atrocidades que os humanos fazem com os animais.


Mistério de Assassinato: Anjos, uma morte, uma investigação policial no céu. Muito bom, muito cruel. Eu tenho uma edição própria ilustrada deste conto com o título de Mistérios Divinos.


Neve, Vidro e Maçãs: Um dos meus favoritos. Gostaria de ter este conto ilustrado. Imaginem se uma linda "princesa" de contos de fadas não fosse tão boazinha quanto alegou. Imaginem se a "madrasta má" não fosse tão má assim. Só imaginem.


Este conto foi escrito por Neil Gaiman para a PETA.

BOLINHOS DE BEBÊS

Alguns anos atrás, todos os animais foram embora.
Acordamos uma manhã e eles simplesmente não estavam mais lá.
Nem mesmo nos deixaram um bilhete ou disseram adeus. Nunca conseguimos saber ao certo para onde foram.
Sentimos sua falta.
Alguns de nós pensaram que o mundo tinha se acabado, mas não tinha.
Só que não havia mais animais. Não havia gatos ou coelhos, cachorros ou baleias, não havia peixes nos mares, nem pássaros nos céus.
Estávamos sós.
Vagueamos por aí, perdidos por um tempo, e então alguém observou que, só porque não tínhamos mais animais, não havia motivo para mudar nossas vidas. Não havia razão para mudar nossa dieta ou parar de testar produtos que podem nos fazer mal.
Afinal de contas, ainda havia os bebês.
Bebês não falam. Mal podem se mexer. O bebê não é uma criatura racional, pensante.
Fizemos bebês.
E os usamos.
Alguns deles, comemos. Carne de bebê é tenra e suculenta.
Esfolamos suas peles e nos enfeitamos com elas. Couro de bebê é macio e confortável.
Alguns deles usamos em testes.
Mantínhamos seus olhos abertos com fitas adesivas e pingávamos detergentes e shampoos neles, uma gota de cada vez.
Nós os marcamos e os escaldamos. Nós os queimamos. Nós os prendemos com braçadeiras e plantamos eletrodos em seus cérebros. Enxertamos, congelamos e irradiamos.
Os bebês respiravam nossa fumaça e, na veia dos bebês, fluíam nossos remédios e drogas, até eles pararem de respirar ou até o sangue deles não correr mais.
Era duro, é claro, mas necessário.
Ninguém podia negar isso.
Com a partida dos animais, o que mais podíamos fazer?
Algumas pessoas reclamaram, claro. Mas elas sempre fazem isso.
E tudo voltou ao normal.
Só que...
Ontem, todos os bebês se foram.
Não sabemos para onde. Nem mesmo os vimos partir.
Não sabemos o que vamos fazer sem eles.
Mas pensaremos em algo. Humanos são espertos. É o que nos faz superiores aos animais e aos bebês.

Vamos bolar alguma coisa.

No blog Biblioteca Mal-Assombrada você pode ler uma resenha muito boa deste livro.

Adormecida


A Long, Long Sleep - Anna Sheehan


SINOPSE:

Rose Fitzroy esteve dormindo profundamente por décadas. Imersa num sono induzido, esquecida em um porão por mais de 60 anos, a jovem foi tratada como desaparecida enquanto os anos sombrios pairavam sobre o mundo. Despertada como por encanto e descobrindo-se herdeira de uma corporação multimilionária, Rose vai entendendo pouco a pouco, tudo o que aconteceu em sua ausência.
Ela descobre que seus pais estão mortos. O rapaz por quem era apaixonada não é mais que uma mera lembrança. A Terra se tornou um lugar estranho e perigoso, especialmente para ela, que terá de assumir seu lugar à frente dos negócios.
Desejando adaptar-se à nova realidade, Rose só consegue confiar numa única pessoa estranhamente familiar. Rose até gostaria de deixar o passado para trás, no entanto, ao pressentir o perigo, percebe que precisa enfrentá-lo - ou não haverá futuro.

COMENTÁRIOS:

A protagonista deste livro se chama Rosalinda Fitzroy e é, tecnicamente, uma garota de 16 anos. Na verdade ela esteve em animação suspensa pro aproximadamente 62 anos e é despertada por acidente, quando o jovem Bren  desliga sem querer a câmara de estase e precisa fazer respiração boca a boca para ressuscitá-la (certo, é uma referência a Bela Adormecida, mas as semelhanças param por aí).
Rose havia sido colocada em estase por seus pais, que morreram em um acidente de avião. De alguma forma a moça acabou no porão do condomínio onde Bren morava e, de repente, se vê acordada num mundo diferente do seu, onde seus pais morreram e ela é a única herdeira da maior empresa existente, tanto na Terra quanto em outros planetas: a Unicorp. Para piorar a situação Rose está sendo caçada por uma espécie de Cyborg chamado Plastine.
A moça é colocada para morar no apartamento que ocupava com os pais em companhia de um casal de guardiões (que nunca estão em casa e pouco ligam para ela), volta a estudar e aos poucos vai fazendo amizade com Bren e com Otto, um colega que é considerado propriedade da Unicorp por ter sido criado em laboratório a partir de embriões humanos injetados com DNA alienígena.
A protagonista também vai aprendendo sobre o que aconteceu no mundo enquanto ela estava adormecida; o acontecimento mais marcante foram os Dias Negros, em que algumas doenças dadas como extintas retornaram e mataram mais da metade da população da Terra em pouco tempo. Consequentemente o mundo se tornou um lugar melhor, sem doenças, sem pobreza, etc, mas... parece que é muito normal pessoas serem propriedade de corporações, aliás, da Unicorp, que, comandada por um presidente e assessorada por uma espécie de conselho, decide o destino de todos.
Rose, ao ser despertada por Bren, é a típica princesa de contos de fadas: frágil, indecisa, maleável... e logo se pensa que Bren vai ser o típico príncipe encantado, pois é lindo, decidido, corajoso, especialmente porque a moça não demora a ter sentimentos amorosos por ele. Acontece que o rapaz a rejeita quando ela se declara, mas quer continuar a ser seu amigo, pois é um bom rapaz. Esta rejeição serve de marco para a mudança que começa a ocorrer na personalidade da moça.
O romance da história acontece realmente entre Rose e Xavier, seu primeiro amor, antes dela ficar esquecida em estase por 62 anos. Rose nasceu antes de Xavier, mas aos poucos ele vai crescendo e de repente parece mais velho que ela, já que a menina era colocada em estase com frequência. A história é contada através das lembranças de Rose e aos poucos conhecemos Xavier e compartilhamos com Rose os momentos que eles passaram juntos, passando da amizade e companheirismo ao amor profundo.
Otto, o "alienígena" é um personagem interessante. Como não é humano Otto é o mais capaz de compreender a situação de Rose, que não consegue se colocar em classe alguma na humanidade depois de seu sono prolongado. O rapaz é aquele que apoia Rose e ajuda a superar seus temores quando conversam através do computador, já que o rapaz não fala (ele se comunica telepaticamente através do toque, mas se recusa a tocar novamente em Rose após a primeira vez por ter medo do que "leu" nela). Eu realmente gostei de Otto e de sua história, apesar dela ter sido contada muito brevemente.
Sinceramente, a protagonista me irritou em vários momentos. Sei que o livro foi escrito para adolescentes e que ela foi criada para ser a jovem frágil em consequência dos atos de seus pais (adultos malvados), mas na minha opinião a autora não conseguiu passar a ideia de que, apesar de toda a fragilidade e insegurança, Rose era uma heroína digna de realizar grandes feitos e ter uma grande superação.
A impressão que tive, ao ler Adormecida, é de que poderia estar lendo um livro ótimo; de que havia algo nele de muito encantador, mas que estava disfarçado. Um bom exemplo disso é a história de Otto, que poderia ter sido explorada a fundo, mas que foi jogada de qualquer forma. O rapaz é um experimento científico, um dos poucos sobreviventes de uma grande leva, tratado como objeto pela maior parte das pessoas, propriedade de uma corporação, dono de poderes incríveis e... o que acontece? Nada! Ele conta sua história e voltamos ao drama de Rose, afinal, ela não é boa em nada, ela está deslocada, ela tem medo de viver, ela perdeu tudo que tinha na vida, blá,blá,blá.
A medida que conhecia o passado de Rose mais e mais eu chegava a conclusão de que ela era a pessoa mais sem vontade própria da existência. Quando finalmente ela se decide a ter voz ativa, logo volta atrás, o que me deixou absolutamente furiosa. Além disso, no presente ela continua um quiabo, fazendo tudo o que mandam, sem decidir nada por si mesma. Demora muito para ela finalmente reagir e não ficou muito crível quando ela faz isso. A história não vai nos revelando os segredos aos poucos, ela joga a solução de todos eles de uma só vez na cara do leitor no final e não dá uma conclusão. Tenho quase certeza de que tem continuação, para variar!
Uma das revelações é interessante a outra é tola e as demais estranhas. Este livro poderia ter sido ótimo e não foi. Não chega a ser um desastre completo e me arrisco a dizer que é um bom passa tempo (até fiquei emocionada em certa passagem), mas ao lembrar do que poderia ter sido meio que me irrito ;-)






A Hospedeira


Livro de Stephenie Meyer.

Eu confesso que li todos os livros da tal saga Crepúsculo em e-book e depois comprei todos eles, porque não consigo ter apenas um dos livros de uma saga ;-p
Bem, na minha opinião as adaptações são terríveis, mas, vamos falar de "The Host".
Tenho o e-book há mais de um ano e nunca havia me entusiasmado para ler. A sinopse parecia interessante, mas os livros anteriores, na minha opinião, não são nada demais (apenas passáveis). Ontem finalmente juntei curiosidade suficiente e comecei a ler... e terminei de ler. Eu sei... mais de 500 páginas... mas eu li e isso já diz algo sobre o que achei do livro.
A Hospedeira conta a história de Wanderer, da dona do corpo que Wanderer ocupa e daqueles que a cercam. Eu pensava que o livro mostrava a ótica da real dona do corpo e que esta era a protagonista, mas eu estava bem errada; a protagonista é a alienígena que recebe o nome de Wanderer. Ela é de uma espécie muito antiga e que parasita criaturas em diferentes mundos. Wanderer recebe o corpo de Melanie, mas algo não sai como deveria. Melanie ainda está consciente e, após o ódio inicial por sua hospedeira, acaba surgindo algo forte entre ambas. Wanderer adquire os sentimentos de Melanie pelo irmão mais jovem e pelo amante (Jared) e as duas vão em busca deles, preocupadas com sua segurança (eram dos poucos humanos "selvagens", ou seja, sem "almas - definição que os aliens davam a eles mesmos). A partir daí a pobre criatura (ou as duas) passam por todo tipo de tortura. Ao encontrar aqueles que ama é aprisionada, espancada, ameaçada de morte... eu fiquei particularmente irritada e horrorizada com o que ela sofre, especialmente nas mãos daquele que ama (Jared). Claro, logo no inicio do livro é normal você se revoltar com um povo que veio de outro planeta e começou a pegar corpos humanos, pouco a pouco, parasitando-os e anulando suas verdadeiras consciências, mas, a medida que a história segue, a autora mostra como os seres humanos podem ser desprezíveis e de repente eu tomei o lado da alienígena. Descobrimos que, apesar de serem parasitas, as "almas" são profundamente bondosas e altruístas, com raras exceções e que sempre haviam parasitado criaturas sem o nível de sentimentos e inteligência dos humanos (as criaturas ficavam gratas pela fusão). A recusa humana de fusão os deixava bastante confusos exatamente por isso. Bem, Wanderer e Melanie tornam-se como irmãs, apesar de ambas amarem Jared e, após muito sofrimento entre os rebeldes, ela acaba por ser aceita (muito sofrimento envolve muitos socos, chutes, tentativas de morte.. sério, é uma vergonha) e os ajuda mais do que poderiam imaginar. Por causa dela vidas são salvas! Muitas. E mesmo assim, a aceitação é limitada e Wanderer acaba sofrendo muito, até a conclusão do livro (que me agradou, felizmente). A dona do corpo, Melanie, é uma chata! O mocinho Jared é burro, grosseiro, estúpido, idiota e muito, muito mais. Eu o DETESTEI!!!! Nunca, em momento algum, achei o cara interessante. Ian aparece fazendo besteira, mas logo se regenera e de repente me peguei pensando que ele era muito melhor mocinho do que o Jared. para minha surpresa, um romance nasce daí... mas a autora insiste no lance triângulo amoroso. Quem leu a saga Crepúsculo deve ter percebido que ela tem problemas com isso. Mesmo quando Wanderer descobre que ama Ian, a autora insiste que ela também ama Jared (que ama Melanie)... isso era totalmente dispensável, mas não chegou a comprometer o livro. Fiquei com vontade de ver esta história no cinema. Apesar de ser mais adulto do que a saga Crepúsculo, em certas passagens alguns dos personagens se comportam como adolescentes, em especial Melanie. Na verdade, Melanie tem uns repentes de Bela Swan ;-p
Felizmente o conjunto todo funciona e funciona bem. O livro é longo, enrola pacas em certas passagens que, poderiam ter se resolvido bem mais rápido, mas vale a pena :-)

Sinopse

"A Hospedeira é um livro sobre um romance inesquecível, um triângulo amoroso com apenas dois corpos, sobre a obstinação do amor e o significado de ser humano. Melanie Stryder se recusa a desaparecer. Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores: suas mentes são extraídas, enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo. Quando Melanie, um dos humanos “selvagens” que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Wanderer, a “alma” invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade que Wanderer não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente.
Wanderer investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua a viver escondido. Incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, Wanderer começa a se sentir intensamente atraída por alguém a quem foi submetida por uma espécie de exposição forçada. Quando os acontecimentos fazem de Melanie e Wanderer improváveis aliadas, elas partem em uma busca incerta e perigosa do homem que ambas amam.."




 
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