Dexter

Dexter (Michael C. Hall) trabalha como investigador forense de um Departamento Policial de Miami. Sua função é analisar causas de mortes, com atenção especial ao sangue, fluído que exerce certo fascínio sobre o personagem e, do jeito que a série é feita, associação direta.
Dexter é um sociopata. Dexter é um serial killer.
Somos informados durante a série que Dexter recebeu educação especial de seu pai adotivo, pessoa de extrema importância em sua vida e sobrevivência, o mais próximo de um elo emocional que alguém como ele poderia ter. Durante infância e adolescência, Dexter foi instruído por seu pai a reprimir desejos assassinos e canalizá-los para gente escrota de verdade (“Mas é preciso ter certeza absoluta”, aprende). Mais importante, aprendeu a se encaixar na sociedade, fingindo tudo a todos, até para sua irmã (Jennifer Carpenter, a Emily Rose em O Exorcismo de Emily Rose, muito mais branca aqui), policial do mesmo DP e com dom para palavrões.
Flashbacks muito bem encaixados nos apresentam a esse passado educativo.
De certa forma, Dexter é construído para ser “serial killer do bem”, mas, de qualquer maneira, temos aqui uma série que tem um assassino como protagonista-título, e a obra nunca nos deixa esquecer do fato, desde a abertura nos mesmos moldes de Masters of Horror, só que melhor. Um brilho só, a abertura mostra Dexter em suas atividades matinais, mas aludindo a meios de se matar alguém: fazer a barba, cortar bife e ovo, moer café, cortar laranja, passar fio dental, vestir camiseta... todas estas ações rotineiras ganham fortes interpretações visuais maldosas e violentas. Tema de abertura, de Rolfe Kent, parece obedecer a um largo sorriso, e, de fato, Dexter é programa bem divertido. Engraçado como “Dexter” remete muito mais a um nome crianção, inofensivo, impressões distantes da idéia de assassino.
Parte dessa diversão reside em Michael C. Hall (A Sete Palmos) no personagem-título, muito bom com a frieza disfarçada e narração em off que dosa ironia e sarcasmo enquanto nos revela o que ele realmente pensa – colegas de trabalho e namorada escolhida a dedo por causa de trauma ocorrido no aconchego do lar (Julie Benz, ótima) não são poupados de uma quase total indiferença confidenciada a nós. Tem o hábito de catalogar seus assassinatos com uma gota de sangue, retirada com delicadeza do rosto das vítimas quando presas em espaço totalmente a prova de pistas.

1 comentários:

Iuri Fiedoruk disse...

Dexter salvou a temporada da mediocridade que está Lost e Heroes.
E vamos torcer para a terceira se superar, pois a segunda já mostrou que isso é sim possível :)

 
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