Terror em Avignon

Mary Stewart.

Madam, will you talk?


SINOPSE:

Quando Charity Selborne chega a um pitoresco hotel no sul da França para passar alguns dias de férias com uma amiga, ela conhece o menino David e acaba por entrar no meio de um jogo perigoso de vingança, assassinato e traição. No meio deste jogo Charity deve lutar para salvar David, ela mesma e redescobrir o amor.


COMENTÁRIOS:


Terror em Avignon foi o primeiro romance de Mary Stewart a ser publicado, e é, dos livros escritos por ela, meu favorito (além de ter sido o primeiro que li). 
A história se passa em seis dias, no sul da França. Charity Selbourne está de férias com sua amiga Louise e ambas estão hospedadas num pequeno e aconchegante hotel na cidade de Avignon. 
Charity se aproxima de David, um menino retraído e solitário, que está viajando com a madrasta ( a mulher não esconde que não liga nada para o garoto) e com seu desastrado e adorável cão, Rommell. Em pouco tempo a protagonista fica sabendo da trágica história do menino: o pai de David é um assassino, que matou o melhor amigo e tentou matar o próprio filho.
Como Louise (a amiga) prefere ficar descansando no hotel e pintando as paisagens ( e bebendo sucos gelados de uva ou café preto - coisas que eu também amo -  Charity passa fazendo visitas aos locais turísticos, às vezes sozinha, às vezes em companhia de David e consegue a permissão da madrasta do garoto para levá-lo a Nimes em uma excursão de um dia.
Durante este passeio a Nimes algo acontece: o pai de David aparece e Charity se envolve num jogo de gato e rato para conseguir tirar o menino daquele lugar sem que o pai o encontre. Eu quase roí as unhas neste momento, pois fiquei apavorada com  a moça, diante daquele homem ameaçador e que parecia disposto a matá-la para encontrar o garoto.
Charity consegue levar David de volta a Avignon em segurança, só para, numa visita a outra cidade minúscula no dia seguinte (Les Baux), encontrar o pai de David novamente. 
Sério, as sequências de perseguição entre os dois são ótimas. Quando ela parece não ter escapatória, Charity tem mais uma ideia genial e escapa... ela é uma ótima protagonista; jovem viúva independente (o marido morreu na segunda guerra), ainda sente-se profundamente ligada ao marido, mesmo estando pronta para seguir em frente. É uma mulher sensata e calma e muito corajosa e uma de minhas protagonistas favoritas.
Ao ler este livro você deve estar disposto a crer em amor a primeira vista e, acreditem em mim, eu não duvidei em nenhum momento dos sentimentos dos protagonistas, uma vez que a autora os mostrou de tal forma que se mostrou impossível não crer.
Pois bem, por trás desta história envolvendo assassinatos e tentativas de assassinatos há algo muito mais profundo, com os pés em crimes cometidos durante a segunda guerra e mais vilões do que Charity e o leitor imaginava haver. A leitura prende a gente, do inicio ao fim, num ritmo acelerado que culmina numa sequencia de ação muito bem feita.
Este livro também é para aquelas que gostam de heróis sombrios, que não hesitam por nada quando a vida de quem ama está em risco.

Passagem em que Charity descreve a entrada da madrasta de David no refeitório:

"Nesse momento, a loura apareceu, passando por entre as mesas para ir sentar-se perto da grade, a duas mesas de distância do Sr. Marsden. Ela cruzou as belas pernas, pegou um cigarro e sorriu para o garçom. Houve uma espécie de confusão que se resolveu em três movimentos separados — o alemão gordo venceu por cabeça o garçom e o Sr. Marsden — para acender-lhe o cigarro. Mas o Sr. Marsden ganhou por pontos, porque o isqueiro do alemão negou fogo e Marsden tinha um fósforo. Ela atirou um sorriso ao homem de pescoço gordo, pediu um drinque ao garçom e olhou de tal maneira para Marsden por trás da chama do fósforo que esta esmaeceu um pouco. De qualquer maneira, depois disso, ele leu Burnt Norton durante algum tempo."

Passagem em que Charity e Louise conversam no quarto da primeira:

"E agora quinze dias... — murmurou ela sonhadoramente. — Quinze dias inteirinhos sem ter nada para fazer senão beber e tomar sol.
— Sem comer também? Está fazendo regime?
— É verdade... E quase me esqueci de como é que se come. Dizem que em França o gado ainda dá filés... Que figura irei fazer diante de um filé?
— É preciso fazer essas coisas sem precipitação, — disse eu, abrindo uma das venezianas, que protegiam do sol da tarde. — É bem provável que o garçom faça as apresentações. Alice-Louise, o filé. Filé, Louise. Você então fará um cumprimento de cabeça e o filé estará apresentado."

Sinceramente, eu amo demais este livro!!!!

AQUI!!!!
Essa é a capa do meu exemplar. Acho ela adorável. O cabelo da moça, o vestido, os sapatos... até mesmo o fundo com a paisagem árida funcionou para mim.

Versão em inglês e em melhor estado que a capa do meu livro.

Bonita, de certa forma.

Bom... não gostei muito. A roupa da moça da capa é muito estranha.

Esta capa é bizarra. Como podem ter feito uma moça com tal penteado??? E a flor gigantesca? Parece que a flor vai se virar e devorar a moça do cabelo esquisito e que o homem esquisito do fundo vai ficar olhando a cena. Credo!!!!

Meio gosto, meio não gosto.

Eu só gostaria de saber como...COMO um livro com o título "Madam, you will talk?"  Virou  "Terror em Avignon". Lendo o título em português não dá para ter a ideia correta da trama nem em cem anos.

Agora, algumas fotos de pontos citados a perfeição no livro (por anos sonhei em conhecer Avignon).

A ponte D`Avignon. 
Aqui temos a cena de Charity com David, em que ele pergunta de se ela vai dançar sobre a ponte, que é um costume antigo do lugar.


A ponte du Gard.
Aqui Louise passa boa parte do dia pintando, enquanto Charity e David saem em excursão.


Nimes, o Templo de Diana.
Aqui Charity se vê diante do pai de David, tendo que despistá-lo para buscar o garoto e fugir com ele.


Les Baux.
Neste lugar distante de tudo Charity é pega pelo pai de David de surpresa e é onde começa uma perseguição emocionante.


Porto de Marselha.
Cenário para vários momentos importantes do livro e onde se descobre o amor :-)

AQUI já havia um post sobre este livro, para quem quiser espiar.

6 comentários:

Jossi Borges disse...

Eu acho que nunca li Mary Stewart, embora tenha um livro dela. Tbm tenho vários ebooks, mas depois dessa sua resenha, fiquei curiosa para ler 'Terror em Avignon'!

Ah, eu gostei da segunda e da terceira capas, rs. Fazem lembrar aqueles filmes dos anos 50, com as saudosas estrelas hollywoodianas.
;)

Iuri Fiedoruk disse...

Essa primeira capa é fantástica, pena que esteja toda detonada.

Arismeire Kümmer Silva disse...

Mary Stewart é, de longe, minha autora favorita. Gostaria de ter absolutamente todos os livros dela.

Arismeire Kümmer Silva disse...

Ai, Iuriko, é a capa do meu livro. Ele é velhinho, tadinho ;-)

Iuri Fiedoruk disse...

É velhinho e ler no chuveiro não ajuda ele em nada ;)

Arismeire Kümmer Silva disse...

Este eu jamais levo para perto da água ;-)

 
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