Duas Resenhas: Plágio

Ate Que A Morte Nos Separe - Adriana Tavares de Sá



SINOPSE:

Uma história emocionante, de enredo magistral onde um ciclone de sentimentos e paixões se abate sobre Gisele, que tem de portar-se como heroína e superar o terror e o pânico para salvar o filho que leva no ventre.

COMENTÁRIOS:

Como vocês podem ver, o pequeno parágrafo acima não dá ideia do que acontece no livro. Há meses estou curiosa para ler o pequeno Romance Rebeca escrito pela Adriana e com ares de romance gótico mas... qual não foi minha surpresa ao achar tudo FAMILIAR DEMAIS!!!
A mocinha conhece um rapaz, se encanta por ele, ele tem uma doença que pode matá-lo a qualquer momento, ela aceita casar com ele para sair da casa do pai, pois os dois não se davam bem e pronto, começa realmente a história.
Quando chegam no castelo da família (do qual o marido da mocinha é herdeiro) ela descobre que ninguém da família sabia que estavam casados, mas ela acaba sendo bem recebida pelo sogro, a irmã louquinha deste, pelo primo de 18 anos do marido e, de má vontade, pela cunhada.
A família tem uma looonga história de suicídios e acaba que o marido da mocinha é encontrado morto, como se houvesse pulado da sacada. Detalhe, a mocinha também dá falta do cachorro que "sempre" estava com seu marido, mas que no livro jamais tinha sido citado até aquele momento.
A moça, arrasada, não acredita no suicídio do marido e acredita que ele sofreu um acidente, mas, após descobrir que está grávida, ela mesma começa a sofrer atentados e a ver uma figura travestida de MONGE, que procura sempre assustá-la ou atraí-la para a morte.
No meio disto tudo ela tem a ajuda da tia avó de seu marido e do primo, com quem teve um relacionamento inicial ruim (ele acreditava que ela era uma caça dotes). obviamente eles se apaixonam, em meio a tudo o que acontece e a moça acredita apenas nesta dupla e no médico da família, que a ajuda e protege.
Esta é a trama da história e, assim que a moça casa e vai para o castelo do jovem marido eu pensei: ESTRANHO... PARECE O CASTELO DO MONGE NOTURNO (KIRKLAND REVELS) DA VICTORIA HOLT.
Pois bem... este livro, da Adriana, não é uma releitura da obra de Victoria, não é uma inspiração, não é nada disso; é um plágio descarado, que chega a reproduzir diálogos de forma constrangedora. Tudo o que Adriana fez foi mudar a nacionalidade da mocinha, citando o Brasil e colocando seu pai como funcionário do Itamaraty, mudou o país de seu marido, os nomes dos personagens, mudou a época e cortou parte da história, deixando totalmente longe do charme da história escrita por Victoria.

AQUI!!!!


O Castelo do Monge Noturno (Kirkland Revels) - Victória Holt





SINOPSE:

Kirkland Revels pairava acima da selvagem e misteriosa Yorkshire como uma fortaleza de pedra. Para alguns lá pairava uma atmosfera maléfica, mas para a jovem e inocente noiva, Catherine Rockwell, o Castelo era um local romântico. Ela ainda não conhecia os terríveis segredos que pairavam por Kirkland Revels e que, ao entrar em seu novo lar, havia cruzado o limiar do terror.



COMENTÁRIOS:

A história é contada por Catherine Corder, uma jovem que acabava de voltar a casa paterna após terminar seus estudos na França. Enquanto passeava a cavalo perto de sua casa em Yorkshire ela conhece o jovem Gabriel Rockwell, filho do vizinho nobre, dono de um castelo chamado Kirkland Revels. Os dois se apaixonam e casam rapidamente, (a mocinha aproveita para fugir do domínio do pai, com quem se dá muito mal). Ao chegar em Kirkland Revels Catherine descobre que a família não sabia de seu casamento e todos, com exceção da cunhada, a aceitam com alegria... o primo de Gabriel - Simon - também a rejeita, pelo menos inicialmente. Logo Gabriel morre como se houvesse cometido suicídio, mas Catherine não acredita nisso. Após a moça descobrir que está grávida é um pulo para começar a sofrer atentados e a ver uma figura vestida de MONGE que pretende assustá-la ou atraí-la para a morte. Em meio a tudo isto ela só tem o apoio de Simon, a avó deste e o simpático médico da família.
O que vocês me dizem sobre isso? Total vergonha alheia!!!!!!!!!!

OBS: Apenas algumas comparações.

* Em O Castelo do Monge Noturno o cachorro está presente desde a primeira página e é citado com frequência, até que desaparece. O cachorro é dado a mocinha pelo futuro marido.
* O mocinho sofre do coração e pode morrer a qualquer hora.
* A mocinha recusa o primeiro pedido de casamento e só aceita casar depois de saber que ele pode morrer a qualquer momento do coração.

Diálogo durante o primeiro jantar no castelo:

Tia Sarah era completamente diferente, embora eu reconhecesse nela as feições e a alvura dos Rockwell. Seus olhos eram vazios, e ela tinha um ar tenso como se não conseguisse entender bem o que se passava à sua volta. Imaginei que ela deveria ser mais velha que seu irmão.
-Sarah - gritou Sir Matthew - essa é minha nova filha.
Sarah sacudiu a cabeça e deu-lhe um sorriso que era meigo na sua inocência.
-Qual é seu nome? - ela perguntou.
-Catherine - respondi.
-Você se interessa por tapeçaria, querida? - disse sarah.
-Admirou-as mas não sou perita em fazê-las - eu redargüi.
-Preciso mostrar a Claire minha tapeçaria. Ela gostará de vê-las - murmurou.
Houve um breve silêncio. Então Ruth disse calmamente.
-Essa é Catherine, titia. Não é Claire.
-É claro... é claro... - ela disse.

Nesta passagem a mocinha sabe o nome de sua sogra.

* Em Até que a Morte nos Separe o cachorro só é citado quando desaparece, então, fica muito estranho a moça comentar a ausência de um personagem que nunca foi citado antes. O cachorro é do marido da mocinha desde sempre.
* O mocinho sofre do coração e pode morrer a qualquer hora.
* A mocinha aceita o pedido de casamento de cara.

Diálogo durante o primeiro jantar no castelo:

-Sylvie, esta é minha nova filha. Ela é um pouco surda, Gisele - ajuntou - Coi­sas da idade, você compreende.
Reprimi um sorriso. Meu sogro certa­mente não se considerava velho, a julgar pelo tom de piedosa compreensão com que se referia à irmã.
Sylvie acenou com a cabeça.
-Como é seu nome? - perguntou numa voz ligeiramente estridente, típica daqueles que estão perdendo a audição.
-Gisele -  respondi bem alto.
-É um bonito nome. Quero lhe mos­trar minha tapeçaria, Claire.
Houve um breve silêncio.
-Esta é Gisele, titia -  interpôs Berthe - Não é Claire.
- É claro, é claro - murmurou Sylvie - Gosta de tapeçaria, meu bem?
-Gostaria muito de ver a sua - re­truquei com um sorriso.
-Minha irmã às vezes se perde no passado -  interveio Louis -  Deve perdoá-la. 
-Não tem importância. Quem era Claire? 
-Minha esposa, mãe de Lucien - disse meu sogro. 
-Compreendo.

Nesta passagem a mocinha não sabe o nome de sua sogra.

São tantas semelhanças que se torna impossível negar o plágio. Se for recomendar apenas um para ler eu recomendo o livro de Victória Holt, publicado em português de forma condensada em um volume de Seleções, ou em inglês, com a história completa. Eu tenho ambos. A  história de Adriana é absolutamente medíocre se comparada ao original. Poderia ter sido boa, se ela houvesse apenas buscado inspiração, ao invés de reescrever (mal) a mesma história.

4 comentários:

Arismeire Kümmer Silva disse...

Às vezes eu fico chateada com a falta de interesse pelo meu blog... *suspiro*.
Tento variar, fazer resenhas de livros que não estão sendo resenhados em pelo menos dez blogues ao mesmo tempo; tento fazer posts divertidos sobre seriados, mostrar capas belas ou engraçadas, compartilhar com vocês livros escritos por mim, fazer algumas brincadeiras mas... parece que praticamente ninguém se interessa.
Não vou parar de escrever e compartilhar meus interesses, mas às vezes me pergunto por que parece que pouquíssimas pessoas se interessam pelos posts deste blog :-(

Jossi Slavic Genius disse...

Oi, Aris!
Menina, seu blog é ótimo, viu? E sempre tem resenhas bem escritas, dando sempre uma nova visão e um esclarecimento muito bom para quem está pensando em pegar um livro para ler. Eu SEMPRE dou uma olhada no seu blog, quando estou em dúvida sobre algum livro que estou em vias de ler... Como temos gostos parecidos (romances com suspense, alguns sem reedição, góticos e terror, etc.) eu adoro andar por aqui... E também adoro suas capas!

O que acontece, que o povo parece não participar? Olha, eu me faço a mesma pergunta... mas, ultimamente, até já sei a resposta, rs. A internet anda "superpovoada", se é que podemos usar esse termo... e mesmo quando nossos blogs estão recheados de posts bem escritos e novidades, o povo até lê, mas menos de 10% vai, mesmo, comentar. Talvez a vida moderna, o corre-corre, o excesso de informação, ou tudo isso junto...

Não é, de modo algum, falta de bons conteúdos, pode crer!

Aliás, eu ando querendo conversar com vc via email também. Como adoramos livros e do mesmo estilo, seria legal conversarmos um pouco, trocarmos ideias e sugestões, o que acha?
Meu email: jossiborges@gmail.com

Bjinhos e continue firme aqui!!!

:)

Arismeire Kümmer Silva disse...

Pois é, Jossi, os blogs de literatura pipocam e não parece que conseguimos "competir" com tantos blogs que colocam promoções atrás de promoções, hehehehe. Eu sigo vários e me esforço para comentar sempre que um assunto me desperta o interesse mas a recíproca não é mútua :-)Pena. Seria legal uma interação maior. O brigada pelos elogios. Eu também sempre leio o seu blog e já segui sugestões de leitura feitas por vc ^^
Bj, Aris.

Mira Odeon disse...

Olá!
Eu li O Castelo do Monge Noturno quando era criança e gostei muito!
Não sabia que tinha este envolvimento de plágio com outra obra.
Você tem o PDF? Adoraria reler!

 
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